AFP PHOTO / TRANSPORT MINISTRY OF CHINA
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China descarta grandes vazamentos de petroleiro, mas ainda há risco ambiental

Greenpeace explicou em comunicado que o tipo do petróleo refinado que era transportado é ‘muito volátil’ e ‘grande parte será consumida no incêndio’; apesar disso, o que se dissolver na água será tóxico até que se dilua o suficiente para se decompor

O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2018 | 11h07

XANGAI, CHINA - O navio petroleiro iraniano que pegou fogo após colidir com um navio de carga nas águas do Mar da China Oriental não registrou grandes vazamentos até o momento e a maior parte do combustível está evaporando. Mesmo assim, o risco ambiental ainda existe, indicou nesta quarta-feira, 10, a organização Greenpeace.

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O Ministério de Transportes chinês apontou que "não há registros de grandes vazamentos sobre o mar" após o acidente envolvendo o navio - que transportava petróleo equivalente a quase 1 milhão de barris -, no qual desapareceram 31 pessoas.

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O Sanchi, um barco iraniano registrado no Panamá, transportava 136 mil toneladas de petróleo formado por uma mistura de hidrocarbonetos recuperados durante o processamento de gás natural.

Segundo explicou o Greenpeace Asia Oriental em um comunicado divulgado nesta quarta-feira, este tipo de petróleo refinado é "muito volátil", então "grande parte será consumida no incêndio" e a maioria "evaporará".

Por esta razão, acrescentou o grupo, não será "o tipo de mancha espessa e preta associada aos vazamentos de petróleo cru", ainda que "não signifique que esteja livre de riscos ambientais". Uma parte do petróleo derramado se dissolverá na água, o que será tóxico até que se dilua o suficiente para se decompor mediante processos naturais.

"Atualmente, é impossível estimar qual a quantidade de petróleo que evaporou ou queimou", apontou a organização, já que são necessárias mais provas para confirmar quanto petróleo foi derramado no mar.

Riscos

O Ministério de Transportes da China informou na terça-feira que existiam riscos de o navio explodir ou afundar, enquanto continuavam os trabalhos de busca pelos 31 desaparecidos. A tarefa é delicada, pois o gás tóxico do incêndio pode prejudicar a saúde das pessoas que estão na área.

O petroleiro ainda pode queimar por até um mês, segundo o Ministério de Oceanos e Pesca da Coreia do Sul. "Nós acreditamos que as chamas irão durar por duas semanas ou um mês, considerando casos anteriores de acidentes de petroleiros“, disse Park Sung-dong, autoridade do ministério sul-coreano. ”Estamos preocupados neste momento com o tanque de combustível, que pode contaminar a água caso o navio afunde."

O Greenpeace apontou que um grande volume de vazamento de petróleo poderia causar um risco de toxicidade de espécies de grande consumo na China, como a corvina amarela e a cavala.

"É preciso realizar uma avaliação da quantidade de condensado que vazou o mais rápido possível e adotar as medidas de contenção e limpeza adequada", recomendou a organização, que também sugeriu a realização de "uma investigação completa das causas desta colisão em águas abertas". / EFE e REUTERS

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