China descarta sanções ao Irã após denúncia de nova usina

Grande parceiro comercial do Irã, asiáticos preferem insistir em negociações diplomáticas para resolver impasse

Reuters,

25 de setembro de 2009 | 15h08

O governo da China disse nesta sexta-feira, 25, estar preocupado com a possibilidade de que o anúncio do Irã de que está construindo uma segunda usina de enriquecimento de urânio possa atrapalhar a o retorno da nação islâmica à mesa de negociações.  Pequim, no entanto, afirmou que aplicar sanções e exercer pressão não são formas de resolver os problemas relacionados à questão nuclear iraniana.

  

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Outro tradicional aliado do Irã, a Rússia mudou o tom nesta sexta-feira com a denúncia de uma segunda usina nuclear no país persa. O presidente Dmitri Medvedev acusou o Irã de violar decisões do Conselho de Segurança das Nações Unidas ao construir uma nova usina

A China espera que o encontro internacional com o Irã no dia 1º de outubro "trará resultados" ao abrandar as tensões sobre o programa nuclear iraniano, disse o vice-primeiro-ministro do Exterior chinês, He Yafei, na cúpula do G-20 em Pittsburgh, nos EUA.

 

"Como um membro do Conselho de Segurança da ONU, a China está muito preocupada com esse problema", anunciou Yafei sobre as últimas revelações do programa nuclear iraniano. "Todos esses problemas só podem ser resolvidos com diálogo e negociação", completou, afirmando que seu país apoia os "dois caminhos" de pressão e conversas com o Irã.

 

O Conselho de Segurança da ONU tem o poder de autorizar sanções aos países que desrespeitem suas resoluções, mas o ministro anunciou que a China prefere negociar a estabelecer punições aos iranianos.

 

Incômoda

 

Na quinta-feira, o governo chinês, que tradicionalmente apoia a estratégia do diálogo com o Irã importar grandes quantidades de petróleo desse país, afirmou que uma estratégia linha-dura seria incômoda.

 

"Acreditamos que aplicar sanções e exercer pressão não são formas de resolver os problemas e não contribuem com os atuais esforços diplomáticos nas questões nucleares", disse a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Jiang Yu.

 

O ministro da pasta, Yanj Jeichi, em declarações à agência estatal de notícia Xinhua, também reiterou a posição da China de que a questão do programa nuclear iraniano será melhor resolvida mediante o diálogo diplomático.

 

Os chanceleres dos seis países que enviaram a carta para Teerã haviam se reunido na ONU para dar continuidade às discussões sobre o programa nuclear do Irã, que o ocidente suspeita ter fins militares. O país islâmico, entretanto, insiste que sua ambições se limitam à geração de energia elétrica e tem recusado os pedidos do Conselho de Segurança que suspenda as atividades de suas usinas.

 

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em sua própria intervenção na Assembleia Geral da ONU, não mencionou diretamente a questão nuclear.

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