China detecta componente tóxico em marcas de leite líquido

Seis mil bebês foram contaminados por leite em pó com melamina; pelo menos quatro crianças já morreram

Agências internacionais,

19 de setembro de 2008 | 09h43

 As análises do principal órgão de controle de qualidade chinês detectaram níveis de melamina em leite líquido vendido por três das principais marcas chinesas do produto, informou nesta sexta-feira, 19, a imprensa oficial, aumentando o escândalo iniciado com o leite em pó para bebês contaminado.  Segundo a agência de notícias estatal Nova China, as autoridades sanitárias descobriram que a contaminação atingiu também produtos à base de leite fresco de grandes laticínios.   Segundo as últimas provas da Administração Estatal de Controle, Inspeção e Quarentena, citadas pelo jornal China Daily, foram encontradas 24 amostras contaminadas com melamina de 1.202 analisadas. As marcas nas quais foi encontrada melamina em leite líquido são Bright, Mengniu e Yili, as duas últimas líderes do setor chinês. A agência, no entanto, assegurou que a melamina no leite não constitui uma grande ameaça para a saúde do povo, e que inclusive em altas concentrações não prejudicaria um adulto de mais de 60 quilos que consuma menos de dois litros ao dia.   As autoridades afirmam que os fazendeiros ou comerciantes acrescentaram a melamina para melhorar o desempenho do leite em testes de qualidade. A melamina é rica em nitrogênio - como a urina - e os testes mais comuns para medir a quantidade de proteínas analisam justamente o nível de nitrogênio. Cresce o temor de que a adição de produtos químicos proibidos era uma prática comum na indústria de laticínios chineses. "Antes do incidentes com a melamina, eu sabia que eles poderiam ter adicionado coisas orgânicas, como urina ou peles de animais", afirmou Chen Lianfang, analista do setor da Orient Agribusiness Consultant, de Pequim. "Basicamente, qualquer coisa que pudesse aumentar a leitura de proteínas."   A maior concentração de melamina foi encontrada nos produtos lácteos da Bright, onde cada quilo de leite continha 8,6 miligramas da substância química. O governo chinês prometeu "duros castigos" aos responsáveis deste novo alerta de saúde, e a lei chinesa contempla a pena de morte para casos que afetem a saúde nacional. O órgão apelou para a calma aos consumidores chineses e assinalou que a maioria do leite líquido produzido na China está isento do composto tóxico.   Até agora, quatro crianças morreram e mais de 6 mil ficaram doentes depois de beber leite feito à partir de pó. Quase 160 sofrerem insuficiência renal. Todas as crianças que ficaram gravemente doentes tomaram leite da Sanlu, de acordo com o ministro da Saúde da China, Chen Zhu. No centro do escândalo em andamento está o Grupo Sanlu, uma companhia baseada na cidade de Shijiazhuang, na Província de Hebei. Ela tem vendido leite em pó adulterado com o produto tóxico melamina, usado na fabricação de plásticos. Esta substância faz com que o leite em pó aparente conter mais proteína do que realmente possui.   Segundo os especialistas, estas proporções não causariam danos em um adulto, enquanto este beba menos de dois litros de leite adulterado em um dia. No entanto, em bebês, a melamina pode afetar o trato urinário.   Descoberta da contaminação   A companhia no centro do escândalo de contaminação no leite em pó para bebês ordenou que os distribuidores recolhessem os produtos da prateleira no início de julho. Os comunicados dos distribuidores da província de Hebei, onde a Sanlu tem sede, levantam novas dúvidas sobre quando a empresa e o governo souberam do problema. Várias amostras do leite em pó continham melamina, um produto químico utilizado normalmente em plásticos, acrescentado para que o leite aparentasse mais níveis de proteínas.   Uma subsidiária da Sanlu na Nova Zelândia afirmou que soube do problema no início de agosto, antes do início da Olimpíada de Pequim. Porém o público só foi informado no dia 11 de setembro, quando a empresa contatou o governo neozelandês, que então informou o governo da China. "Nós recebemos um pedido da Sanlu no início de julho para retirar todo o leite em pó para bebês produzido de 2007 até julho de 2008 das prateleiras", afirmou um funcionário de uma das distribuidoras, Zhang Youqiang.   Segundo ele, pouco após a substituição, a Sanlu afirmou no início de agosto que a nova remessa de leite em pó para bebês não havia atingido os "parâmetros qualificados de aviação". Zhang disse que nunca foi explicado o que seriam esses "parâmetros qualificados de aviação". O funcionário não quis divulgar o nome de sua companhia, que tem agora uma grande quantidade de leite contaminado e discute uma reparação financeira com a Sanlu.   Outro distribuidor, Liang Jianqiang, também tenta que a Sanlu pague o prejuízo. A empresa disse para ele retirar o produto das prateleiras em julho. "Eles me disseram que haveria uma nova fórmula, de melhor qualidade. Eles fizeram isso de novo em agosto e em setembro", acusou. Liang também não quis revelar o nome de sua companhia.

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