China detém monges tibetanos após protesto

Centenas de manifestantes atacam delegacia depois de religioso desaparecer da prisão

Cláudia Trevisan, O Estadao de S.Paulo

23 de março de 2009 | 00h00

Cerca de cem monges tibetanos foram presos ontem na província chinesa de Qinghai, no noroeste da China, depois que centenas de pessoas atacaram uma delegacia de polícia em protesto contra o desaparecimento de um monge que estava sob custódia policial.A manifestação ocorreu no sábado no Distrito de Gyala, na cidade de Golog, onde há um mosteiro tibetano. De acordo com a agência oficial de notícias Xinhua, os manifestantes atacaram policiais e funcionários do governo, que sofreram ferimentos leves.O protesto ocorreu depois que um monge fugiu da prisão e desapareceu. O governo tibetano no exílio dirigido pelo dalai-lama identificou-o como Tashi Sangpo e afirmou que ele cometeu suicídio ao se atirar no Rio Yangtzé. Segundo o site tibet.net, o monge havia sido preso por ter no seu quarto uma bandeira tibetana - proibida na China - e documentos com conteúdo político.A Xinhua disse que o tibetano escapou depois de pedir para ir ao banheiro e seu paradeiro era desconhecido. O texto distribuído pela agência atribuiu o protesto a rumores e disse que o monge estava sob investigação desde sexta-feira por defender a independência do Tibete.O grupo que atacou a delegacia de polícia levava bandeiras tibetanas e gritava slogans em defesa da independência da região. Segundo a Xinhua, 6 pessoas foram presas e 89 se entregaram espontaneamente. Com exceção de dois, todos eram monges do mosteiro Ragya.Dos cerca de 5,6 milhões de tibetanos que vivem na China, 3 milhões estão em províncias vizinhas ao Tibete, principalmente Qinghai, Sichuan e Gansu, que ocupam parte do platô tibetano.Todas essas áreas registraram em março do ano passado uma onda de protestos contra o domínio chinês, que levou à prisão de milhares de pessoas, segundo a entidade Human Rights Watch.As autoridades de Pequim enviaram milhares de soldados do Exército de Libertação Popular à região desde o início de março, na tentativa de evitar protestos em uma série de datas relevantes para os tibetanos.DALAI-LAMAO dia 10 de março marcou o 50º aniversário do fracassado levante contra o domínio chinês que levou o dalai-lama a fugir da região e se exilar na Índia, em 17 de março de 1959.No dia 14 de março, completou um ano das manifestações que varreram a região em 2008, as mais violentas em quase duas décadas.A tensão vai continuar até o fim do mês. O próximo 28 será o primeiro em que será celebrado o feriado em comemoração ao "fim da servidão" no Tibete, instituído neste ano pelo governo chinês. A criação da data é vista como uma provocação por muitos tibetanos, que se ressentem das restrições impostas à prática do budismo, do banimento do dalai-lama pelas autoridades de Pequim e do aumento da presença na região de chineses da etnia han, a majoritária do país - 91,7% da população.Proibido de retornar à região, o dalai-lama continua a ser o principal líder espiritual dos tibetanos.

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