Adilvan Nogueira/Estadão
Adilvan Nogueira/Estadão

China deve buscar diálogo com Biden, dizem parlamentares

Para deputados brasileiros, democrata buscará atender aos interesses dos fazendeiros americanos

Felipe Frazão e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2020 | 05h00

BRASÍLIA - Um acerto de tom entre a China e os Estados Unidos em um governo de Joe Biden poderia beneficiar os fazendeiros dos EUA, acreditam parlamentares brasileiros que estiveram em contato com chineses. Eles relatam que o governo de Xi Jinping deve tentar melhorar o diálogo com os EUA. 

O deputado Fausto Pinato (PP-SP), presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e da Frente Parlamentar Brasil-China, diz que o governo precisa buscar moderação. “O Brasil precisa agir rápido. A China vai abrir diálogo com os EUA”, cobra Pinato. “Biden vai defender os interesses deles, mas não vai comprar briga desnecessária, vai tentar vender mais soja. E a própria China vai tentar aproximação. (Jair) Bolsonaro tem de tentar aproximação com Biden e parar de ficar atacando a China, sendo usado.”

Para Otaviano Canuto, que foi vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento e do Banco Mundial, Biden vai recorrer a mecanismos multilaterais e não a tarifas e cotas nas disputas comerciais. Isso vale para o caso da China e do Brasil. “Vai se juntar com os europeus para exigir salvaguardas ambientais da produção do Brasil para todos esses lugares”, diz. 

Na área econômica, a tomada de partido do Brasil com a China sempre foi vista com preocupação por causa do efeito negativo nas relações comerciais, que afetam vários negócios com o principal parceiro comercial. Além disso, a avaliação é a de que o governo Trump, apesar da relação mais próxima com Bolsonaro, nunca “deu muita moleza” para o Brasil nas negociações.

Entre os técnicos do Ministério da Agricultura, a busca é pelo diálogo e pragmatismo. Mas não se espera uma posição agressiva de Biden. O temor é que exigências ambientais sejam usadas para criar alguma represália comercial aos produtos agrícolas brasileiros. A própria ministra da Agricultura, Teresa Cristina, teve sempre uma posição pragmática ao alertar que os EUA estão vendendo cada vez mais à China e o Brasil, menos.

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Algumas posições dos EUA não devem mudar num governo Biden, como na negociação do 5G. Washington faz campanha para que Bolsonaro exclua a Huawei, principal fornecedora chinesa, da disputa no Brasil – o leilão ocorre em 2021. Se a China tiver de retaliar, a aposta no governo Bolsonaro é que será no setor agrícola. Por outro lado, “em tese”, o governo não teria mais de agradar a Washington num governo Biden.

 O deputado Alceu Moreira (MDB-RS), presidente da Frente da Parlamentar da Agropecuária, diz que os governos devem fazer uma “discussão diplomática”. Para ele, o setor agrícola já sofre tantos prejuízos hoje quanto num governo Biden, por causa da pressão externa ambiental. 

“Temos de cuidar do interesse do nosso País. Até porque quando os EUA emitem opinião com relação a esse tema eles estão emitindo para o mundo, não para o Brasil.”

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