China distancia-se de idéias de Chávez

Pequim evita laços ideológicos com presidente venezuelano

AP e Efe, Pequim, O Estadao de S.Paulo

24 de setembro de 2008 | 00h00

A China distanciou-se ontem da ideologia antiamericana defendida pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, ao afirmar que os vínculos entre Pequim e Caracas são normais e não se destinam a atingir nenhuma outra nação. As declarações foram feitas pela chancelaria chinesa horas após Chávez chegar a Pequim, onde deve se reunir hoje com o presidente chinês, Hu Jintao. "Nossas relações bilaterais não têm a ideologia como base e não afetarão as ligações com nenhum outro país", afirmou Jian Yu, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês.A visita de Chávez à China faz parte de uma viagem internacional na qual ele deve passar por Rússia, Bielo-Rússia, França e Portugal. Durante a viagem, o líder venezuelano pretende assinar convênios em áreas como energia, infra-estrutura e cooperação militar. Antes de chegar a Pequim, Chávez fez uma visita a Cuba, onde se reuniu com Fidel Castro."A China está mostrando ao mundo que não é preciso prejudicar os outros para ser uma potência", afirmou Chávez. "Eles são soldados da paz." Questionado sobre sua ausência na Assembléia-Geral da ONU, nos EUA, Chávez respondeu: "É muito mais importante estar em Pequim do que em Nova York." Segundo dados oficiais chineses, a Venezuela é o sexto maior parceiro da China na América Latina - o comércio bilateral alcançou US$ 5,9 bilhões em 2007. A visita ocorre em meio a um aumento de tensão com os EUA por causa de exercícios navais que Rússia e Venezuela farão no Caribe.ATAQUE CHAVISTAA sede da rede de TV Globovisión em Caracas foi atacada ontem por um grupo de ativistas supostamente ligado ao governo. Segundo a emissora - considerada de oposição -, o grupo lançou bombas de gás lacrimogêneo contra o prédio. O diretor da TV, Alberto Federico Ravell, disse que o grupo tem ligações com o governo e se chama La Piedrita: "O ataque é resultado da linguagem violenta que vimos nos últimos dias na imprensa." O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), porém, negou ter ligação com o incidente.

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