China divulga lista de procurados por protestos no Tibete

Doze são identificados nas imagens de TV; governo diz que promove luta de vida ou morte com dalai-lama

Agências internacionais,

19 de março de 2008 | 14h06

Autoridades chinesas divulgaram nesta quarta-feira, 19, uma lista com 12 pessoas procuradas por ligação com a onda de violência que atingiu os protestos na capital do Tibete, Lhasa. Segundo o jornal britânico Guardian, os manifestantes foram identificados por meio de imagens de uma emissora de TV da cidade. Veja também:Papa pede diálogo e tolerância para a crise China diz que enfrenta 'luta de vida ou morte' Protestos se espalham na ChinaEntenda os protestos no Tibete O anúncio foi feito após a confirmação de que mais de 100 pessoas ligadas aos protestos já teriam se rendido na noite de terça-feira. Os oficiais prometeram "clemência" a qualquer um que admitisse envolvimento com a recente onda de violência até a meia noite de segunda-feira. O governo tibetano exilado na Índia afirma que as supostas rendições não passam de mais detenções arbitrárias. Testemunhas confirmaram que os policiais promovem buscas de casa em casa em Lhasa e dizem que estão sendo feitas prisões em Massa. Segundo Baema Chilain, vice-presidente do governo regional tibetano, afirmou que as pessoas que se entregaram admitiram estar diretamente ligadas aos protestos de sexta-feira, acrescentando ainda que eles teriam recebido dinheiro pelos atos. Segundo a agência oficial chinesa Xinhua, um morador de 25 anos admitiu que estava bêbado quando a confusão começou e decidiu participar dos protestos, atirando pedras em veículos. Um outro homem de 53 anos chamado Gyaincain teria afirmado que estava bastante perturbado com o que fez. "Minha família me convenceu a apresentar a rendição". Sophie Richardson, da ONG de direitos humanos Human Rights Watch, disse que ainda não está claro se os detidos realmente se renderam voluntariamente. "Rendições são difíceis de se acreditar, por conta do tratamento que nos sabemos que essas pessoas recebem - particularmente os que desafiam políticas do governo. O grande problema é que não há meios de checar a veracidade do que o governo afirma". A China manteve nesta quarta-feira as acusações de que o dalai-lama, líder espiritual tibetano no exílio, é o mentor das manifestações, o que ele nega. "O dalai é um chacal em trajes de monge budista, um espírito mau com um rosto humano, o coração da besta", disse o secretário do Partido Comunista do Tibet, Zhang Qingli, numa teleconferência de autoridades regionais, segundo o serviço China Tibet News. "Estamos engajados numa dura batalha de sangue e fogo com a camarilha do dalai, uma luta de vida ou morte entre o inimigo e nós", acrescentou. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, anunciou que deve receber o dalai-lama numa visita do religioso ao Reino Unido, marcada para maio. A notícia deve irritar Pequim. De acordo com Brown, o premiê chinês Wen Jiabao lhe disse na quarta-feira estar disposto a conversar com o Dalai Lama sob certas condições. O dalai-lama diz defender apenas uma maior autonomia para o Tibete, e não a independência. Seu governo no exílio diz que 99 pessoas morreram na repressão das forças chinesas contra um protesto na sexta-feira em Lhasa, a capital do Tibet. Pequim diz que houve 16 mortos, a maioria "civis inocentes". Tibetanos exilados O dalai-lama se reuniu nesta quarta-feira com manifestantes tibetanos em sua base no norte da Índia, enquanto muitos ativistas criticam a suposta tolerância do líder espiritual budista em relação à China. A autoridade política e religiosa, que questiona algumas táticas usadas pelos exilados, como passeatas até a fronteira com a China, tenta explicar aos líderes dos protestos, muitos deles jovens, que sua posição é pela autonomia do Tibete, e não pela independência em relação à China. Na véspera, o líder budista ameaçara renunciar ao seu posto caso a violência no Tibet saia de controle. "Ele lhes explicou sobre seus sentimentos e que talvez seja hora de considerar o longo prazo", disse à Reuters Chhime Chhoekyapa, porta-voz do dalai-lama. "Mas se (os manifestantes) vão ouvir é algo que cabe a eles." Vários grupos de exilados, como o Congresso da Juventude Tibetana, defendem táticas como a convocação de um boicote à Olimpíada de Pequim - evento que tem o apoio do dalai-lama. Nesta quarta-feira, a China disse haver uma luta "de vida ou morte" contra o Tibete. O regime realiza prisões e endureceu o controle político na tentativa de conter a onda de protestos no Tibet e em províncias vizinhas.

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