China divulga relatório sobre direitos humanos nos EUA

O governo chinês divulgou nesta quinta-feira, 8, um relatório sobre as violações dos direitos humanos por parte dos Estados Unidos, em resposta ao texto do Departamento de Estado americano sobre a situação das liberdades no mundo, segundo o qual a China é um dos países em pior situação.Elaborado pelo Conselho de Estado (Executivo), o "Relatório sobre Direitos Humanos nos EUA em 2006" destaca as agressões militares americanas a outros países, com o Iraque como capítulo principal.Também cita a violência interna, o racismo e as violações em nome da guerra contra o terrorismo.No seu relatório de 6 de março, o Departamento de Estado constata uma redução das liberdades em países como China, Venezuela e Cuba."Como em ano anteriores, o Departamento de Estado analisou asituação dos direitos humanos em mais de 190 países e regiões, inclusive a China, mas evitou tocar na situação nos EUA", diz o relatório chinês.Segundo a agência estatal Xinhua, Pequim pretende com suaavaliação "ajudar as pessoas a entenderem melhor a situação nos Estados Unidos e defender a causa dos direitos humanos".Nicholas Bequelin, diretor da organização Human Rights Watch(HRW) em Hong Kong, disse que o relatório chinês é basicamente uma "manobra diplomática". Mas elogiou o fato de que "os países falem a língua dos direitos humanos, já que este reconhecimento é uma aspiração comum de todo o mundo"."Aproveitando seu forte poder militar, os EUA violaram asoberania e os direitos humanos em outros países", afirma odocumento chinês, numa extensa análise da invasão do Iraque.O relatório comenta também a situação interna. "A vida, apropriedade e a segurança das pessoas não estão devidamenteprotegidas nos EUA", diz o documento, ressaltando os 5,2 milhões de crimes violentos em 2005 e a proliferação das armas.Além disso, cita as "comuns" violações das liberdades "cometidas pelos departamentos de aplicação da lei e justiça", especialmente em nome da luta contra o terrorismo."O governo dos EUA não tem o direito de se apresentar como um observador dos direitos humanos, conforme a opinião pública da comunidade internacional", afirmou o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Qin Gang.

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