Vanessa Yung/AFP
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China diz a manifestantes de Hong Kong para não 'brincarem com fogo'

A advertência de Pequim foi a mais contundente feita desde o início dos protestos, em junho, contra um projeto de lei que permitira a extradição de habitantes de Hong Kong para a China.

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2019 | 16h03

PEQUIM - Pequim fez nesta terça-feira, 6, a advertência mais dura até agora aos manifestantes de  Hong Kong , que desafiam há dois meses o regime comunista, e afirmou que não devem subestimar o "imenso poder" do governo central da China.

"Deve ficar muito claro para o pequeno grupo de criminosos violentos e sem escrúpulos: quem brinca com o fogo morre queimado", afirmou Yang Guang, porta-voz do Escritório de Assuntos de Hong Kong e Macau.

Um dia depois de uma jornada de caos na megalópole do sul da China, com uma greve geral e perturbações nos meios de transporte que acabou com 148 detidos, o governo de Pequim elevou o tom com a esperança de convencer os manifestantes pró-democracia a voltar para casa.

"Nunca subestimem a firme determinação e o imenso poder do governo central", declarou Yang, que voltou a acusar os militantes pelos distúrbios. "No fim serão punidos", insistiu.

Quase ao mesmo tempo, os manifestantes falaram pela primeira vez à imprensa em Hong Kong para, segundo eles, "apresentar um contrapeso ao monopólio do governo sobre o discurso político a respeito do tema".

Com máscaras no rosto e vestidos com camisa preta e um capacete amarelo de operário, traje emblemático dos protestos, três membros do movimento pró-democracia, que não tem nenhum líder designado pelo temor de represálias, afirmaram que decidiram conceder a entrevista coletiva "pelo povo, para o povo".

"Pedimos ao governo que devolva o poder ao povo e responda aos pedidos dos cidadãos de Hong Kong", declararam, lendo comunicados em inglês e em cantonês.

A advertência de Pequim foi a mais contundente feita desde o início dos protestos, em junho, contra um projeto de lei que permitira a extradição de habitantes de Hong Kong para a China.

O projeto foi suspenso, mas os manifestantes exigem a retirada definitiva do texto e a renúncia da chefe do Executivo local, Carrie Lam.

Yang reiterou o apoio de Pequim a Carrie Lam e à polícia de Hong Kong na repressão aos protestos. O governo chinês, que não tolera protestos na China continental, até agora não interveio em Hong Kong.

Na semana passada, no entanto, o Exército chinês divulgou um vídeo que mostrava cenas de soldados reprimindo um protesto em Hong Kong.

Em virtude do acordo com o Reino Unido em 1984 que devolveu o território à China, a ex-colônia britânica continua gozando de liberdades inexistentes no continente. 

Mas os manifestantes afirmam que temem uma erosão das liberdades ante a crescente influência do poder chinês na megalópole de 7 milhões de habitantes.

Autorização para intervir 

Em tese, o Exército chinês, que tem uma guarnição de milhares de soldados em Hong Kong, não deve interferir nos assuntos do território.

Mas o comandante da guarnição recordou na semana passada que a lei autoriza uma intervenção para restabelecer a ordem, a pedido das autoridades locais.

Tal intervenção reavivaria o fantasma da repressão das manifestações da Primavera de Pequim de 1989, que deixaram centenas ou milhares, dependendo da fonte, de mortos.

Também poderia provocar uma catástrofe financeira em um dos maiores mercados da Ásia.

Na segunda-feira à tarde, após a greve geral, foram organizadas sete manifestações simultâneas. Um desafio para as forças de segurança após dois meses de protestos. A polícia usou gás lacrimogêneo em pelo menos quatro pontos da cidade, especialmente nas proximidades do Parlamento local.

Após os distúrbios do fim de semana, os manifestantes bloquearam na segunda-feira no horário de pico diversas estações de metrô para impedir a saída dos trens.

As autoridades anunciaram que usaram mais de mil cilindros de gás lacrimogêneo e 160 balas de borracha desde o início do movimento, em 9 de junho. /AFP

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