China diz que ainda há 29 trabalhadores chineses reféns no Sudão

Rebeldes do Estado sudanês de Kordofan do Sul ainda mantêm 29 trabalhadores chineses como reféns, disse nesta segunda-feira a agência estatal de notícias chinesa Xinhua, contradizendo um relato do Sudão de que 14 deles teriam sido soltos.

CHRIS BUCKLEY, REUTERS

30 de janeiro de 2012 | 13h23

O drama desses reféns motiva centenas de milhares de comentários de usuários da Internet na China, onde a crescente presença internacional do país alimenta uma aguda sensibilidade da opinião pública contra qualquer ameaça a cidadãos chineses no exterior.

O Movimento de Libertação do Povo do Sudão-Norte (MLPS-N) disse no domingo que mantém os 29 trabalhadores em um cativeiro seguro depois de uma batalha contra o Exército do Sudão. Desde junho o Exército nacional enfrenta os rebeldes do MLPS-N em Kordofan do Sul, um Estado que faz fronteira com o recém-independente Sudão do Sul.

A Suna, agência estatal de notícias do Sudão, disse que os militares haviam conseguido libertar 14 trabalhadores.

A embaixada chinesa em Cartum afirmou, no entanto, que 17 trabalhadores chineses foram resgatados pelo Exército do Sudão depois de terem fugido do cativeiro, mas outros 29 continuam em poder dos rebeldes, segundo a Xinhua.

A agência também citou uma fonte oficial sudanesa não identificada, segundo a qual nenhum dos reféns foi solto por enquanto. "O pessoal chinês capturado teve todas as suas comunicações com o mundo exterior rompidas", disse uma fonte não identificada da embaixada chinesa, citada em um despacho anterior da Xinhua.

"A instável situação política é a razão do ataque, e não pode ser excluída a possibilidade de que os rebeldes estejam atacando os chineses como peça de barganha com o governo", disse ao jornal China Daily o pesquisador Li Xinfeng, especialista em assuntos africanos da Academia Chinesa de Ciências Sociais.

Refletindo a preocupação da opinião pública com o caso, vários sites chineses criaram seções especiais para acompanhar o sequestro e permitir que os usuários façam comentários.

Na tarde desta segunda-feira (madrugada no Brasil), o popular site noticioso Sina (http://news.sina.com.cn) já tinha mais de meio milhão de comentários. "Aonde quer que os chineses vão, sempre há algo que dá errado", disse um comentarista. "Não é fácil para os chineses que querem ganhar um pouco de dinheiro", disse outro.

Meses atrás, a retirada de dezenas de milhares de trabalhadores chineses da Líbia também se tornou um grande fato midiático na China.

Empresas chinesas têm grande atuação nos setores de petróleo e construção civil no Sudão, e a instabilidade no país tem causado preocupação em Pequim. Kordofan do Sul é o principal Estado petrolífero do Sudão. O MLPS é o partido governista do recém-independente Sudão do Sul, mas nega dar apoio aos rebeldes do MLPS-N no outro lado da fronteira.

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