China diz que desconhecia negócio de venda de armas para Gaddafi

Fabricantes chineses de armamentos mantiveram negociações com representantes das forças do ex-líder líbio Muammar Gaddafi em julho para venda de armas, mas sem o aval do governo chinês, afirmou nesta segunda-feira o Ministério de Relações Exteriores da China.

CHRIS BUCKLEY, REUTERS

05 Setembro 2011 | 09h13

A revelação provavelmente representará um novo entrevero para as relações já delicadas entre a China e as forças rebeldes que depuseram Gaddafi.

O ministério confirmou a essência da notícia publicada pelo New York Times e o diário canadense The Globe and Mail de que documentos encontrados na capital líbia, Trípoli, indicavam que empresas chinesas se ofereceram para vender lançadores de foguetes, mísseis antitanque e outras armas, num total de 200 milhões de dólares para as forças de Gaddafi, apesar de uma resolução da ONU ter proibido o comércio de armamentos com o país.

Uma porta-voz do Ministério, Jiang Yu, disse que integrantes do governo de Gaddafi tinham ido à China e mantido conversações com "alguns" dirigentes de empresas armamentistas chinesas, sem o conhecimento do governo.

"Nós esclarecemos com as agências relevantes que em julho o governo de Gaddafi enviou pessoal à China sem o conhecimento do governo chinês e eles estabeleceram contato com algumas pessoas das empresas citadas", disse Jiang à jornalistas em Pequim.

"As empresas chinesas não assinaram contratos de vendas de armas nem exportaram itens militares para a Líbia", afirmou Jiang. "Acredito que as agências encarregadas do comércio de armas vão certamente tratar disto com seriedade."

Mesmo que as negociações sobre o armamento tiverem ocorrido sem o apoio do governo, a controvérsia poderá intensificar a desconfiança dos rebeldes que tentam derrotar as últimas forças leais a Gaddafi, e assegurar o controle de toda a Líbia, em relação à China.

"Temos fortes evidências de negócios em andamento entre a China e Gaddafi, e temos todos os documentos para provar isso", declarou ao NYT um porta-voz militar dos rebeldes, Abdulrahman Busin.

A questão das armas surge num momento de tensão entre a China e os rebeldes líbios sofre os recursos congelados do governo sob Gaddafi,

No fim de semana o Conselho Nacional de Transição (CNT) afirmou que o governo chinês havia obstruído a liberação de bens congelados.

Embora o governo chinês tenha concordado com outras potências na semana passada sobre a liberação para os rebeldes de 15 bilhões de dólares em bens líbios no exterior, o país se opôs a entregar o controle de mais recursos ao conselho interino, segundo o porta-voz rebelde Shamsiddin Abdulmolah.

Mais conteúdo sobre:
CHINA LIBIA ARMAS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.