China diz que EUA precisam perder mentalidade de 'Guerra Fria'

Em relatório, Pentágono afirma que China desenvolve tecnologia que pode causar divisões na região.

BBC Brasil, BBC

26 de março de 2009 | 10h45

O governo chinês criticou nesta quinta-feira o relatório do Pentágono que afirma que o poderio militar da China estaria afetando o equilíbrio militar na Ásia.

Um porta-voz do Ministério do Exterior chinês disse que se trata de uma "grande distorção dos fatos" e pediu o fim da "mentalidade da Guerra Fria".

Em seu relatório anual para o Congresso americano, o Pentágono afirmou que a China está desenvolvendo tecnologia nuclear, espacial e cibernética que pode levar a "divisões" na região.

De acordo com o Pentágono, essas tecnologias poderiam ser usadas em disputas territoriais na Ásia.

O governo chinês também voltou a ser criticado pela falta de transparência na divulgação de seus gastos militares e política de segurança.

"O relatório divulgado pelos Estados Unidos continua a destacar a falácia da ameaça militar chinesa", disse à imprensa o porta-voz chinês Qin Gang.

Segundo ele, o governo chinês já se queixou ao governo americano e pediu a Washington que "cesse a mentalidade de Guerra Fria... para evitar novos danos à relação entre os dois países e os dois Exércitos".

A tensão entre China e EUA aumentou no início do mês, depois de um confronto entre navios da marinha chinesa e americana na zona econômica exclusiva de Hainan, quando a China acusou os Estados Unidos de espionagem.

Segundo o relatório do Pentágono, a China vem conseguindo aumentar seu arsenal de armas sofisticadas, mas a capacidade chinesa de sustentar seu poder militar à distância permanece limitado.

Algumas dessas novas armas poderiam ajudar a China a participar de missões de paz internacionais, humanitárias e anti-pirataria, admite o relatório, mas elas também podem permitir à China "projetar poder e garantir acesso a recursos que reforçariam suas reivindicações sobre territórios disputados".

Segundo o Pentágono, a China estaria desenvolvendo armas que poderiam desativar satélites espaciais de países inimigos, por exemplo, além de estar aumentando sua capacidade de armas eletromagnéticas e cibernéticas e continuar a modernizar sua capacidade nuclear.

O relatório também aponta o aumento de mísseis de curta-distância sendo colocados do outro lado de Taiwan, apesar de ter diminuído a tensão com a China nos últimos meses.

Apesar de elogiar o crescimento de uma China próspera, estável e pacífica, o relatório afirma que "há muita incerteza em torno do futuro caminho da China, particularmente sobre como esta expansão militar pode ser usada".

O relatório ainda estima que os gastos militares da China em 2008 foram praticamente o dobro de dez anos atrás.

O governo chinês insiste que esses gastos são exclusivamente para fins de defesa e são pequenos se comparados aos americanos.

A China já havia reclamado de relatórios anteriores do Pentágono que colocam o país como ameaça militar, apesar de o governo chinês estar comprometido com "um crescimento pacífico".

Segundo o especialista em Defesa e Segurança da BBC Rob Watson, as forças armadas chinesas estão deixando de ser um Exército pobre, de camponeses, para se tornar uma força militar moderna e cada vez mais sofisticada, mas permanecem dúvidas sobre seu nível de treinamento e coordenação, bem como sobre sua capacidade de guerra. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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