China diz que honra dos EUA ao dalai-lama arranharia relações

Líder religioso deve receber homenagem do Congresso americano na véspera de pegar medalha do Nobel da Paz

Agências internacionais,

16 de outubro de 2007 | 10h47

A China afirmou nesta terça-feira, 16, que a decisão dos Estados Unidos de homenagear o dalai-lama poderia arranhar "seriamente" as relações entre os dois países e pediu que o Congresso americano cancele os planos de conceder qualquer honraria ao líder religioso tibetano.   O dalai-lama foi convidado pelo presidente George W. Bush para uma cerimônia realizada nesta terça-feira na Casa Branca, na véspera da entrega pública da medalha do Prêmio Nobel da Paz, do qual o monge foi declarado vencedor em 1989. O prêmio do Congresso é a maior honra civil dos EUA.   "Nós pedimos solenemente que os EUA cancelem este enorme equívoco", afirmou o ministro de Relações Exteriores da China, Yang Jieche. "Isso viola seriamente as normas internacionais de relações e fere profundamente os sentimentos do povo chinês por interferir em causas internas da China."   Um porta-voz do Ministério ressaltou que a honraria ao dalai-lama poderia "arranhar seriamente as relações China-EUA".   O porta-voz Liu Jianchao falou durante uma coletiva que Washington deveria "corrigir seus erros e cancelar eventos que interfiram em interesses internos da China".   O dalai-lama, tido pelo budismo como a 14ª encarnação da mais alta divindade entre os monges que retornam à Terra, luta pela independência do Tibet, o que contraria os interesses políticos da China.   O Tibet era um Estado religioso independente até 1959, quando as forças de Mao Tse-Tung invadiram e anexaram a região à China. O então líder do Tibet, o monge Tenzin Gyatso - o nome de batismo da reencarnação do dalai-lama - teve de fugir para a Índia e até hoje vive no exílio, de onde luta pelo reconhecimento da independência do território. O dalai-lama insiste em que busca a "autonomia real" e não a independência da região.

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