China diz que mais de mil foram detidos por violência no Tibete

Jornal afirma que ministro informou que 800 pessoas foram presas e que 280 se entregaram após protestos

Associated Press e Efe,

03 de abril de 2008 | 10h44

Mais de mil pessoas foram detidas ou entregaram-se à polícia da China por participação nos violentos distúrbios do mês passado em Lhasa, capital do Tibete, informou nesta quinta-feira, 3, um jornal local atribuindo a informação a Wang Xiangming, secretário do Partido Comunista na cidade.   Veja também:  China condena dissidente chinês e UE pede sua libertação  Entenda os protestos no Tibete   Os casos serão julgados antes de 1º de maio, prosseguiu Wang, citado pelo jornal estatal Comércio Tibete. Segundo analistas, a informação sugere que o governo chinês estaria determinado a virar a página da violência no Tibete antes da abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, marcada para 8 de agosto. Citado pelo jornal, Wang informou que 1.080 pessoas estão presas. Ele detalhou que 800 foram detidas e 280 se entregaram.   A declaração de Wang fornece o mais completo quatro disponível até o momento da amplitude da repressão aos maiores protestos contra o governo chinês no Tibete e seus arredores em quase duas décadas. Pequim enviou milhares de policiais e soldados à região para manter a calma, prender os líderes dos protestos e isolar os monastérios usados pelos monges que deram início a protestos pacíficos em 10 de março.   As manifestações saíram de controle quatro dias depois. Segundo o governo, 22 pessoas morreram nos incidentes. Grupos tibetanos no exílio alegam que pelo menos 140 pessoas morreram. Autoridades chinesas afirmam que a situação voltou ao normal, mas turistas estrangeiros e jornalistas continuam proibidos de visitar a montanhosa região onde fica o Tibete.   Apelo tibetano   O dalai-lama pediu à comunidade o "apoio contínuo" para colocar fim à crise do Tibete e às "medidas repressivas" que, segundo o líder tibetano, a China aplicou contra os manifestantes tibetanos no território.   "As autoridades chinesas mobilizaram grandes contingentes de tropas nas regiões tradicionais tibetanas e reprimiram duramente os tibetanos que estariam envolvidos nos distúrbios, além de ter fechado as áreas dos protestos", disse o líder espiritual, em comunicado emitido na quarta-feira à noite.   O dalai lama, que citou notícias sobre o "medo" de muitos tibetanos de ir a hospitais chineses, pediu que a comunidade internacional apóie o envio de uma equipe para desenvolver uma investigação independente, assim como visitas de jornalistas e médicos às áreas afetadas. "Acho que os recentes protestos são uma manifestação do profundo ressentimento, não só dos tibetanos, na denominada Região Autônoma do Tibete, mas também nas áreas tradicionais tibetanas incorporadas a outras províncias", disse o líder.

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