Ben Stansall / AFP
Ben Stansall / AFP

China diz que Özil foi ‘enganado por notícias falsas’ sobre uigures

Após jogador manifestar publicamente apoio à minoria muçulmana, Pequim o convida a visitar a região de Xinjiang

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2019 | 08h00

PEQUIM - A China afirmou nesta segunda-feira, 16, que o jogador Mesut Özil, do Arsenal, foi “enganado por notícias falsas” após suas críticas ao tratamento dado pelo país aos uigures. O governo chinês também convidou o alemão de origem turca a visitar a região de Xinjiang, onde há campos de detenção de membros da minoria muçulmana.

Para Pequim, a opinião de Özil “foi influenciada por comentários falsos”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Geng Shuang. Ele também ressaltou que ficaria “encantado de vê-lo visitar Xinjiang e dar uma olhada no local”.

“Se você tiver bom senso, poderá fazer uma clara distinção entre o correto e o incorreto e defender os princípios de objetividade e justiça, e verá uma Xinjiang diferente”, afirmou Shuang.

“Xinjiang goza de estabilidade política, desenvolvimento econômico, unidade nacional, harmonia social e (...) o povo vive lá e trabalha em paz e com alegria”, acrescentou o porta-voz chinês.

Críticas e represália

A TV pública chinesa CCTV retirou de sua programação a partida de domingo entre Arsenal e Manchester City, pelo Campeonato Inglês. 

Özil condenou na sexta-feira nas redes sociais a repressão da China contra a minoria muçulmana dos uigures. Ele também criticou os países islâmicos por não denunciarem os abusos cometidos.

“Alcorões estão sendo queimados, há mesquitas destruídas, escolas islâmicas proibidas, intelectuais religiosos assassinados, um após o outro, irmãos enviados à força para campos”, escreveu o jogador no Twitter e no Instagram. “Os muçulmanos continuam calados. A voz deles não é ouvida”, acrescentou Özil, que postou no texto a bandeira do que os separatistas uigures chamam de Turquestão Oriental. 

Fãs chineses queimam camisas

Os fãs chineses de Özil queimaram camisas do Arsenal e pedem ao clube que demita o jogador, de acordo com informações do jornal britânico The Guardian.

As críticas de Özil desencadearam uma onda de raiva no país onde o Arsenal é muito popular. O jogador tem mais de 4 milhões de seguidores no Weibo (equivalente chinês do Twitter).

"Você tem noção do que os fãs do Arsenal passaram nos últimos dois dias?", escreveu um deles no Instagram. "Eles estão tentando entender como o clube e o ídolo que um dia amaram se tornou um disseminador de boatos. Claro, se sua intenção é atacar a China, você é tão insignificante para nós quanto formigas sujas."

"Como fã chinês de futebol, estou muito desapontado. Por que você não consegue apenas focar em jogar futebol? Sendo uma figura pública, você deveria saber o que pode dizer e fazer e estar consciente das consequências", escreveu outro.

No sábado, o Arsenal preferiu manter uma distância segura das declarações de Özil, afirmando que o clube “sempre aderiu ao princípio de não se envolver em política”. 

Campos de reeducação política

Organizações de defesa dos direitos humanos e especialistas acusam Pequim de ter internado em campos de reeducação política cerca de 1 milhão de muçulmanos, principalmente uigures, na região de Xinjiang.

Pequim nega que o número seja tão alto e fala apenas em “centros de formação profissional”, destinados a ajudar a população a encontrar um emprego e a deixar de lado a tentação de seguir o caminho do islamismo e do terrorismo. / AFP, AP e REUTERS

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