China diz que prêmio a dissidente iria contra objetivos do Nobel

Liu Xiaobo, condenado a 11 anos por incitar o multipartidarismo, é conhecido pela luta humanitária

Reuters

28 de setembro de 2010 | 09h10

Imagem de Xiaobo durante manifestação para sua libertação.

 

PEQUIM - O Ministério de Relações Exteriores da China afirmou nesta terça-feira, 28, que entregar o Prêmio Nobel da Paz a um dissidente chinês conhecido pelo ativismo pelos direitos humanos estaria contra os princípios do fundador do prêmio.

 

O dissidente tcheco Vaclav Havel pediu ao comitê do Nobel que o ativista chinês Liu Xiaobo fosse laureado com o prêmio, mas a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores Jiang Yu afirmou que, com isso estaria, a organização do prêmio estaria enviando uma mensagem errada.

"Essa pessoa foi condenada à prisão porque violou a lei chinesa", disse Jiang durante coletiva de imprensa em Pequim.  "Suas ações são dramaticamente contra os objetivos do Prêmio Nobel. O desejo do sr. Nobel era que o Prêmio Nobel da Paz fosse entregue a alguém que promovesse a paz entre os povos, promovesse a amizade internacional e o desarmamento."

Liu está cumprindo uma sentença de 11 anos na prisão por publicar artigos defendendo uma democracia multipartidária - vista como ameaça ao monopólio de poder do Partido Comunista.

O chefe do Instituto Nobel da Noruega declarou na segunda-feira que uma alta autoridades chinesa disse a ele que entregar o prêmio a Liu afetaria as relações entre a Noruega e a China.

O governo chinês se enfureceu quando o líder espiritual do Tibete, o Dalai Lama, venceu o Prêmio Nobel da Paz em 1989 - o ano da repressão das autoridades contra manifestações por democracia na Praça da Paz Celestial, em Pequim.

O comitê do Prêmio Nobel deve anunciar o vencedor deste ano em Oslo no dia 8 de outubro, encerrando uma semana de prêmios entregues em Estocolmo em nome do inventor sueco da dinamite no século 19, Alfred Nobel.

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