Gilles Sabrié / The New York Times
Gilles Sabrié / The New York Times

China diz que promulgação de lei sobre uigures é 'ataque mesquinho' dos EUA

Ministério das Relações Exteriores da China alertou que os Estados Unidos 'sofrerão consequências'

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2020 | 01h19

PEQUIM - A China criticou nesta quinta-feira, 18, a promulgação de uma lei promovida pelo Congresso dos Estados Unidos que impõe sanções às autoridades chinesas acusadas das prisões em massa de uigures muçulmanos na região de Xinjiang, no noroeste do país.

A lei, assinada pelo presidente americano, Donald Trump, nesta quarta, visa conter "autores de violações e abusos dos direitos humanos, com o recurso sistemático de campos de doutrinação, trabalho forçado e vigilância intrusiva para erradicar a identidade étnica e crenças religiosas de uigures e outras minorias na China", segundo um comunicado da Casa Branca.

A lei é um "pequeno ataque à política da China em Xinjiang", respondeu o Ministério das Relações Exteriores da China, alertando que "os Estados Unidos sofrerão as consequências". 

O texto foi aprovado em 27 de maio pela Câmara dos Representantes por uma grande maioria (413 votos), após passar por unanimidade pelo Senado alguns dias antes.  A lei poderia complicar ainda mais as relações já tensas entre as duas potências mundiais. 

O Secretário de Estado americano, Mike Pompeo, está no Havaí para se reunir com o representante do governo chinês Yang Jiechi, com o objetivo de reduzir as tensões.  

Os uigures são um dos 56 grupos étnicos presentes na China. Principalmente muçulmanos, a maioria fala uma língua da família turca e compõe pouco menos da metade das 25 milhões de pessoas que vivem em Xinjiang. Essa enorme região do oeste da China faz fronteira com vários países da Ásia Central. 

Organizações de direitos humanos e de outros países ocidentais acusam a China de ter mantido reclusos ao menos um milhão de muçulmanos em "campos de reeducação" em Xinjiang

Pequim nega esse número e fala em "centros de treinamento profissional", que funcionariam para apoiar o emprego e combater o extremismo religioso./AFP

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