China diz que protegerá sua integridade territorial

A China denunciou na segunda-feira arealização de ataques por ativistas pró-Tibet contra asembaixadas do país, horas antes do final de um prazo dado paraque os responsáveis pelos distúrbios em Lhasa, a capitaltibetana, se entregassem. O governo chinês anunciou que farátodo o possível para preservar integridade territorial do país. A declaração do Ministério das Relações Exteriores, em umaentrevista coletiva convocada de última hora, surgiu enquantocerca de 40 estudantes ocupavam a Universidade Central paraNacionalidades, em Pequim, marcando a chegada das manifestaçõespró-Tibet à capital chinesa. "O governo chinês protegerá sem hesitação a soberanianacional e a integridade territorial", afirmou Liu Jianchao,porta-voz da chancelaria, pedindo aos outros países quegarantam a segurança dos representantes diplomáticos da China. As autoridades chinesas disseram na segunda-feira quehaviam agido com grande cautela em face dos protestos violentosrealizados pelos tibetanos, os quais a China atribuiu aseguidores do Dalai Lama que desejariam prejudicar os JogosOlímpicos de Pequim, marcados para agosto. No entanto, mesmo que o governador do Tibet tenha dito quenenhuma arma foi usada contra os manifestantes em Lhasa,soldados ocupavam as cercanias da capital da região a fim deassegurar a ordem enquanto chegava ao fim o prazo dado para queos manifestantes se entregassem. O prazo termina à meia-noite. "Se os tibetanos de Lhasa forem às ruas novamente, emgrande número, e desafiarem realmente as autoridades chinesas,acho que veremos uma ação repressiva bastante violenta", disseKenneth Liberthal, cientista político da Universidade Michigan,nos Estados Unidos. A continuidade das tensões deve garantir que os episódiosde violência vistos na semana passada no Tibet continuempairando sobre o país independentemente de qual solução o casotiver. É previsível que se repitam os protestos fora da China,os apelos pela calma e as ações de repressão, tudo isso pesandode forma desconfortável no período que antecede os Jogos. A União Européia (UE) condenou a violência, mas destacouque um boicote às Olimpíadas não seria a melhor resposta. O governo da Rússia afirmou ter esperanças de que a Chinaadote as medidas necessárias para coibir as "ações ilegais" noTibet. O breve comunicado divulgado pelo Ministério dasRelações Exteriores do país não fez críticas ao governo chinês. O governador do Tibet, Qiangba Puncog, disse que asmanifestações haviam sido iniciadas por aliados do Dalai Lama,atualmente exilado. "Desta vez, um pequeno grupo de separatistas e de elementoscriminosos envolveu-se em atos de extrema violência com oobjetivo de causar ainda mais publicidade e, assim, prejudicara estabilidade nesse período crucial dos Jogos Olímpicos. Umaestabilidade de 18 anos conquistada a duras penas", afirmou. Desde segunda-feira, estão ocorrendo no mundo todoprotestos diários em defesa do Tibet. No domingo, a políciafrancesa usou bombas de gás lacrimogêneo contra cerca de 500manifestantes reunidos na frente da Embaixada da China emParis. E houve incidentes nas missões diplomáticas chinesas deNova York e da Austrália. "Condenamos veementemente as ações violentas dos ativistaspró-independência do Tibet", afirmou Liu, criticando os ataquescontra as missões diplomáticas da China no exterior. A respeitoda onda de violência no Tibet, Liu disse: "Isso mostra àcomunidade internacional a verdadeira cara dos seguidores doDalai Lama." O Dalai Lama afirmou ser favorável aos Jogos de Pequim erejeitou totalmente as acusações chinesas a respeito daparticipação dele nas manifestações. (Reportagem adicional de John Ruwitch, em Sichuan, BenjaminKang Lim e Lindsay Beck, em Pequim, Jonathan Allen, emDharamsala, e Guy Faulconbridge, em Moscou)

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