China diz que só o governo pode monitorar poluição do ar no país

Um alto funcionário do governo chinês exigiu nesta terça-feira que embaixadas estrangeiras parem de divulgar análises da qualidade do ar no país, dizendo que isso contraria as leis locais e convenções diplomáticas, numa crítica que tem como alvo principalmente os indicadores divulgados pela embaixada dos EUA.

BEN BLANCHARD, REUTERS

05 de junho de 2012 | 09h28

Dependendo da condição dos ventos, a capital chinesa pode passar vários dias sob um manto bege formado por emissões de fábricas e veículos, poeira e aerossóis. Muitos moradores desconfiam das frequentes indicações oficiais de poluição "leve" em Pequim.

A embaixada dos EUA instalou uma estação de monitoramento no seu telhado, divulgando pelo Twitter uma medição de hora em hora, que é muito acompanhada. Os consulados dos EUA em Xangai e Cantão fazem o mesmo.

Embora a China tenha adotado em janeiro padrões mais rígidos de monitoramento do ar, a leitura oficial continua sendo frequentemente diferente da leitura da embaixada. Especialistas chineses dizem que a medição da embaixada não tem valor científico, por ser feita em um só ponto.

Mas o vice-ministro do Meio Ambiente, Wu Xiaoqing, foi além, classificando a prática de ilegal, embora sem ter citado nominalmente os EUA.

"Segundo a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas... diplomatas estrangeiros devem respeitar e seguir as leis locais, e não podem interferir em assuntos internos", disse Wu numa entrevista coletiva.

"O monitoramento da qualidade do ar na China e a divulgação dessa informação envolvem o interesse público e cabem ao governo. O fato de consulados estrangeiros na China assumirem isso para si... não só vai contra o espírito da Convenção de Viena... como também viola regras relevantes de proteção ambiental."

Liu Weimin, porta-voz da chancelaria, pediu às missões diplomáticas estrangeiras que respeitem as leis e regulamentos chineses e parem de divulgar suas medições, "especialmente pela Internet".

"Se embaixadas estrangeiras querem colher esse tipo de informação para os seus próprios funcionários e diplomatas, acho que cabe a eles", disse Liu. "Eles não podem liberar essa informação ao mundo exterior."

A embaixada dos EUA admite em seu site (http://beijing.usembassy-china.org.cn) que seu equipamento não serve para indicar a qualidade do ar na cidade toda.

Apesar das críticas, Wu admitiu que a qualidade do ar na China --e a situação ambiental como um todo-- continua sendo precária. Mais de dez por cento dos rios monitorados são considerados gravemente poluídos, por exemplo.

"É preciso salvar a qualidade do ar do país, não a cara do governo", disse por email o ativista Zhou Rong, do Greenpeace. "As autoridades ambientais precisam parar de apontar o dedo e começar a tomar medidas que realmente tratem da questão."

(Reportagem adicional de Sui-Lee Wee)

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