China diz ter desbaratado 12 células terroristas em Xinjiang

Forças de segurança da China em Kashgar,cidade da região de Xinjiang (oeste do país), conseguiram atéagora desbaratar 12 células terroristas com base no exterior,afirmou um relatório divulgado no site do governo chinês, naquarta-feira. O relatório, que pode ser lido no endereço www.china.com.cne que cita o vice-presidente do Partido Comunista em Kashgar,Huang Sanping, acusou de envolvimento com os grupos, entreoutros, o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental e o Hizbut-Tahrir. O primeiro constou da lista de grupos terroristas elaboradaem 2002 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e terialigações com a Al Qaeda. Mas o Hizb ut-Tahrir, que diz ter comometa criar um Estado islâmico supranacional, nega patrocinaratos violentos. "Com a aproximação cada vez maior das Olimpíadas, as forçasdo Partido Comunista, do Exército, da Polícia Armada do Povo edo departamento de segurança pública de Kashgar estãototalmente preparadas para qualquer eventualidade e podemresponder a incidentes inesperados a qualquer momento", disse orelatório. Recentemente, meios de comunicação oficiais da China deramvárias notícias sobre a descoberta de atividades terroristas emXinjiang. Na semana passada, o governo chinês afirmou teridentificado cinco "grupos terroristas" que pretendiam realizaratentados contra os Jogos Olímpicos. A polícia deteve 82pessoas em Xinjiang. Não ficou claro se o relatório mais recente incluía asprisões efetuadas então. Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que a Chinausa as Olimpíadas como desculpa para reprimir ainda mais osmoradores de Xinjiang, lar de 8 milhões de uigures muçulmanos,que falam uma língua túrquica e dos quais muitos não aceitam odomínio chinês. Segundo o relatório, Kashgar, que fica perto das fronteirascom o Paquistão e com o Afeganistão, era a "linha de frente"dos esforços para combater o terrorismo em Xinjiang. "Esses grupos vêm infiltrando-se intensamente na China,usando os que não têm emprego, os que foram soltos de campos detrabalho forçado e os que estão insatisfeitos com a sociedadepara realizar atividades danosas, as quais representam umaameaça", afirmou Huang. "Não obstante o número de pessoas envolvidas não ser tãogrande, isso teve um certo efeito sobre a sociedade em virtudeda posição especial de Kashgar", acrescentou. Dilxat Raxit, porta-voz do Congresso Mundial Uigur, umaentidade que funciona no exílio, disse que essa operação eramais um exemplo dos ataques injustificáveis realizados peloschineses contra os uigures. "Não há provas mostrando que eles tenham se envolvido com oterrorismo", disse, em um comunicado mandado por email. "Se a China está convencida de suas acusações, então nãodeveria ter medo de que a comunidade internacional investigasseo caso." O governo chinês acusa militantes uigures de cooperarem coma Al Qaeda para criar um Estado independente chamado TurquestãoOriental. Muitos uigures criticam a migração de chineses da etnia hanpara a região e o controle do governo sobre sua religião ecultura.

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