China diz ter ferido manifestantes tibetanos a tiros

A polícia chinesa feriu a tiros quatromanifestantes nesta semana numa comunidade tibetana daprovíncia de Sichuan, disse a agência de notícias Xinhua naquinta-feira. Autoridades disseram à agência que o incidente ocorreu nodomingo e que a polícia agiu em defesa própria. É a primeiravez que a China admite que suas forças feriram manifestantesdurante a repressão a manifestações contra o governo. As autoridades anunciaram também a prisão de dezenas depessoas e o envio de tropas para conter os protestos. A repressão aos ativistas provocou críticas mundiais,ofuscando os preparativos para a Olimpíada de agosto em Pequim. Em telefonema ao chanceler chinês, Yang Jiechi, asecretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, pediuque Pequim aja com moderação e instaure um diálogo com o DalaiLama, líder tibetano no exílio, a quem Pequim atribuiu osprotestos, o que o religioso nega. A China diz que 13 "civis inocentes" morreram nosdistúrbios da semana passada em Lhasa, capital do Tibete,depois de vários dias de protestos pacíficos liderados pormonges budistas. Exilados dizem que até cem tibetanos morreram. Ciente da repercussão negativa da repressão àsmanifestações estudantis de 1989, Pequim disse ter agido com"moderação máxima" e sem usar armas letais em Lhasa. Mas a reportagem da Xinhua deixa claro que o mesmo não seaplica a outras partes do oeste da China. Pequim impede oacesso de estrangeiros a áreas habitadas por tibetanos. Na quinta-feira, a TV estatal mostrou cenas de protestosnas províncias de Sichuan e Gansu, onde há comunidadestibetanas. Homens a cavalo apareciam gritando slogans pelaindependência do Tibet, queimando carros e erguendo a bandeiratibetana. A reportagem disse que a situação já estava calma emostrava imagens de barricadas policiais e tropas de choque. Naregião de Gannan, em Gansu, oito policiais e três funcionáriospúblicos ficaram feridos nos distúrbios, segundo a TV. Em Kangding, cidade tibetana de Sichuan, ruas ficaramcheias de soldados, que restringiram o trânsito. Avisos nosmuros alertavam a população a não protestar e a ficar longe da"camarilha do Dalai".

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