China diz ter impedido plano terrorista contra os Jogos

Governo anuncia detenção de 45 rebeldes de dois grupos separatistas que atacariam hotéis turísticos

Reuters

10 de abril de 2008 | 07h34

Autoridades chinesas anunciaram nesta quinta-feira, 10, a prisão de 45 homens da região de Turquestão Oriental suspeitos de terrorismo e a interceptação de planos para explodir carros-bomba e seqüestrar atletas durante a Olimpíada de Pequim, na China, em agosto.Veja também: China enfrenta oposiçao também dentro de casa COI diz que Jogos vão superar 'crise' com tocha Dalai-lama diz apoiar os Jogos e critica a violência  Indonésia encurta caminho de tocha para evitar protestos   Manifestantes invadem as ruas de São Francisco Entenda o conflito entre Tibete e China O trajeto completo do revezamento da tocha pelo mundo  Os protestos e a ligação histórica com os Jogos OlímpicosWu Heping, porta-voz do Ministério da Segurança Pública, disse em entrevista coletiva em Pequim que as autoridades chinesas desmantelaram dois grupos "terroristas", sendo um deles ligado ao Movimento Islâmico do Turquestão Oriental - supostamente ligado à Al-Qaeda e incluído pela ONU em 2002 numa lista de grupos considerados terroristas. O grupo teria pedido a seus membros que testassem ataques com carne envenenada, gás tóxico e explosivos acionados por controle remoto, segundo Wu. O objetivo deles, acrescentou, seria "criar um incidente internacional com o objetivo de perturbar os Jogos Olímpicos".O primeiro grupo, liderado por Aji Muhammat, comprou explosivos e realizou 13 testes, disse Wu, sem identificar a nacionalidade desse suspeito. O porta-voz acrescentou que os presos confessaram ter recebido ordens para cometer suicídio caso fossem detidos. Ainda de acordo com o porta-voz, a polícia deteve dez suspeitos e apreendeu 16 mil yuans (US$ 2.300, ou cerca de R$ 6 mil), além de uma grande quantidade de materiais para o treinamento da jihad ("guerra santa" islâmica). Outros suspeitos estão foragidos.No segundo caso, as autoridades detiveram 35 pessoas, apreenderam 9,5 quilos de explosivos, oito detonadores e algum material de propaganda jihadista, segundo Wu, acrescentando que esse grupo pretendia seqüestrar jornalistas, turistas e atletas estrangeiros. Eles ainda planejavam realizar atentados suicidas em Urumqi, capital de Xinjiang, e em outras cidades chinesas, de acordo com o porta-voz. Wu disse que esse grupo recrutava secretamente pessoas "dispostas a sacrificar suas vidas pela jihad"."Estamos enfrentando uma real ameaça terrorista. Todos devem manter um alto nível de vigilância", afirmou o porta-voz. Militantes da etnia uigur se mobilizam pela independência de Turquestão Oriental na região chinesa de Xinjiang - de maioria muçulmana e que faz fronteira com Paquistão, Afeganistão e Ásia Central.Xinjiang, rica em petróleo, tem uma população de 8 milhões de uigures - um povo de maioria islâmica e raízes turcas, com afinidades culturais e lingüísticas com outros povos da Ásia Central. Muitos deles criticam a crescente presença e poderio econômico na região de chineses da etnia han. ONGs de direitos humanos acusam Pequim de usar seu apoio à "guerra ao terrorismo" movida pelos EUA para reprimir a população uigur.  

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