China diz ter impedido plano terrorista contra os Jogos

Autoridades chinesas anunciaram naquinta-feira a prisão de 45 homens da região de TurquestãoOriental suspeitos de terrorismo e a interceptação de planospara explodir carros-bomba e sequestrar atletas durante aOlimpíada de Pequim em agosto. Militantes da etnia uigur se mobilizam pela independênciade Turquestão Oriental na região chinesa de Xinjiang --demaioria muçulmana e que faz fronteira com Paquistão,Afeganistão e Ásia Central. Wu Heping, porta-voz do Ministério da Segurança Pública,disse em entrevista coletiva em Pequim que as autoridadeschinesas desbarataram dois grupos "terroristas", sendo um delesligado ao Movimento Islâmico do Turquestão Oriental--supostamente ligado à Al Qaeda e incluído pela ONU em 2002numa lista de grupos considerados terroristas. O grupo teria pedido a seus membros que testassem ataquescom carne envenenada, gás tóxico e explosivos acionados porcontrole remoto, segundo Wu. O objetivo deles, acrescentou,seria "criar um incidente internacional com o objetivo deperturbar os Jogos Olímpicos". O primeiro grupo, liderado por Aji Muhammat, comprouexplosivos e realizou 13 testes, disse Wu, sem identificar anacionalidade desse suspeito. O porta-voz acrescentou que os presos confessaram terrecebido ordens para cometer suicídio caso fossem detidos. Ainda de acordo com ele, a polícia deteve dez suspeitos eapreendeu 16 mil yuans (2.300 dólares), além de uma grandequantidade de materiais para o treinamento da jihad ("guerrasanta" islâmica). Vários outros suspeitos estão foragidos. No segundo caso, as autoridades detiveram 35 pessoas,apreenderam 9,5 quilos de explosivos, oito detonadores e algummaterial de propaganda jihadista, segundo Wu, acrescentando queesse grupo pretendia sequestrar jornalistas, turistas e atletasestrangeiros. O segundo grupo também planejava realizar atentadossuicidas em Urumqi, capital de Xinjiang, e em outras cidadeschinesas, de acordo com o porta-voz. Wu disse que esse grupo recrutava secretamente pessoas"dispostas a sacrificar suas vidas pela jihad". "Estamos enfrentando uma real ameaça terrorista. Todosdevem manter um alto nível de vigilância", afirmou o porta-voz. Xinjiang, rica em petróleo, tem uma população de 8 milhõesde uigures --um povo de maioria islâmica e raízes turcas, comafinidades culturais e lingüísticas com outros povos da ÁsiaCentral. Muitos deles criticam a crescente presença e poderioeconômico na região de chineses da etnia han. ONGs de direitos humanos acusam Pequim de usar seu apoio à"guerra ao terrorismo" movida pelos EUA para reprimir apopulação uigur. (Reportagem de Dominique Vidalon)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.