China é acusada de vender órgãos de prisioneiros

Médicos britânicos especializados em transplante acusaram a China de manter um mercado de órgãos humanos para transplante, que estariam sendo retirados de prisioneiros executados. Num anúncio feito nesta quarta-feira, a Sociedade Britânica de Transplantes condenou a prática, classificando-a como inaceitável e como uma violação dos direitos humanos. A acusação vem menos de uma semana depois de o governo chinês ter negado tal prática no país e de ter afirmado que uma nova regulamentação sobre transplantes de órgãos seria anunciada em julho. A Sociedade Britânica de Transplantes disse que há uma série de evidências sugerindo que os órgãos de milhares de prisioneiros na China estão sendo removidos para transplante sem autorização. O professor Stephan Wigmore, que dirige o comitê de ética da entidade, disse à BBC que a velocidade com que se encontram órgãos compatíveis para os pacientes indica irregularidades. Em alguns casos, pacientes aguardam menos de uma semana para encontrar um doador, o que significaria que prisioneiros estariam sendo selecionados antes da execução. ?Nos últimos meses, reunimos provas que são irrefutáveis?, disse o professor Wigmore. ?Nos parece que é hora de tomar alguma medida contra esta prática.? Turismo de transplante Um bizarro mercado que ficou conhecido como ?turismo de transplante de emergência? aumentou ainda mais a lucratividade do negócio na China. Pacientes oriundos de países europeus, Japão e Coréia do Sul estariam indo para o país para realizar transplantes clandestinos. Wigmore diz que a prática é crescente e que ele e seus colegas sabem de casos de pacientes britânicos que já consideraram a possibilidade de ir para a China para um transplante. ?Nós só esperamos que as pessoas realmente parem para pensar se elas deveriam mesmo fazer isso?, acrescentou o médico. A falta de transparência envolvendo as execuções na China agrava o problema. As acusações de tráfico de órgãos na China não são recentes, tendo vindo de diversos grupos de direitos humanos nos últimos anos. Críticos dizem que a nova legislação chinesa sobre o assunto, que está marcada para entrar em vigor em julho, não garante que o problema seja resolvido, porque o mercado ilegal de órgãos movimenta muito dinheiro.

Agencia Estado,

19 Abril 2006 | 10h42

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