China e Coreia do Sul protestam contra ida de Abe a santuário

Países criticam visita e dizem que medida pode prejudicar estabilidade na região

O Estado de S. Paulo,

26 de dezembro de 2013 | 12h42

PEQUIM - Os governos da China e da Coreia do Sul protestaram nesta quinta-feira contra a visita do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, ao santuário Yasukuni. O governo dos Estados Unidos também expressou desapontamento com o fato de "a liderança japonesa ter assumido uma atitude que exacerberá as tensões com seus vizinhos".

Abe negou que visita ao santuário represente alguma espécie de devoção a criminosos de guerra e disse que essa interpretação baseia-se em um "equívoco". Os comentários, porém, foram insuficientes para aplacar o descontentamento de chineses e coreanos.

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, criticou a visita e convocou o embaixador japonês em Pequim à sede da chancelaria chinesa para protestar formalmente. A visita de Abe "cria novos e imponentes obstáculos políticos às já estremecidas relações sino-japonesas e a China jamais irá tolerar isso. O Japão deve ser responsabilizado pelas consequências da atitude de Abe", declarou Wang.

"O que Abe fez coloca o Japão em uma direção muito perigosa. As lições da história precisam ser aprendidas. A comunidade internacional, inclusive a China, precisa aumentar a vigilância e jamais permitir que a roda da história gire para trás", prosseguiu o chanceler chinês.

Em Seul, o ministro de Cultura, Esportes e Turismo da Coreia do Sul, Yoo Jinryong, qualificou a visita de Abe como um "ato anacrônico que não apenas prejudica as relações entre a Coreia do Sul e o Japão, mas debilita fundamentalmente a estabilidade e a cooperação no nordeste da Ásia".

O santuário Yasukuni teve papel importante na promoção do nacionalismo japonês no período pós-guerra e ainda hoje abriga um museu no qual tenta-se justificar as invasões de outros países asiáticos. A China e outras vítimas da colonização japonesa frequentemente criticam com dureza a manutenção do santuário por considerarem que ele celebra o passado militarista do Japão. / AP

Tudo o que sabemos sobre:
JapãoShinzo AbeYasukuni

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.