ROSLAN RAHMAN | AFP
ROSLAN RAHMAN | AFP

China e Taiwan fazem encontro histórico depois de 66 anos de rivalidade

Encontro teve como principais resultados promessas de desenvolvimento futuro das relações se Taiwan não declarar independência

O Estado de S. Paulo

07 de novembro de 2015 | 11h42

CINGAPURA - Os presidentes da China e de Taiwan celebraram neste sábado, 7, uma reunião histórica em Cingapura. Foi o primeiro encontro entre líderes dos dois países desde seu rompimento político, 66 anos atrás.

Os presidentes chinês Xi Jinping e taiwanês Ma Ying-jeou deram início à reunião trocando apertos de mãos e sorrisos diante de uma massa de jornalistas em um hotel em Cingapura. Depois conversaram a portas fechadas.

“Seja qual for a duração de nossa separação, nenhuma força pode nos separar”, declarou Xi. O dirigente taiwanês pediu respeito mútuo depois de décadas de hostilidades. “Ainda que seja um primeiro encontro, sentimos como se fôssemos velhos amigos. Agora temos diante de nossos olhos os frutos da reconciliação, não do confronto”, disse Ma.

As negociações entre Xi Jinping e Ma Ying-jeou marcam o primeiro encontro desde que a guerra civil da China terminou em 1949.

O encontro, no cenário neutro do luxuoso Shangri-La Hotel, em Cingapura, teve como principal resultado a promessa de desenvolvimento futuro das relações se não houver uma declaração de independência em Taiwan, e dentro do respeito ao chamado "consenso de 1992". A fórmula, que permite a ambas as partes dizer que pertencem à China, mas se reservarem ao direito de defini-la a sua maneira, "tornou possível o diálogo e alcançou frutos notáveis", garantiu Ma em entrevista coletiva após a reunião.

O evento, que foi preparado durante dois anos, transcorreu com uma coreografia cuidadosamente planejada, em um ambiente muito cordial e com os dois líderes dirigindo-se um ao outro como "senhor" para evitar o uso da palavra "presidente" e suas implicações legais.

As falas de Xi antes da reunião a portas fechadas se centraram na herança comum, o respeito ao consenso de 1992 e a rejeição à independência taiwanesa. "Hoje damos um passo histórico", afirmou Xi.

Ma apresentou cinco pontos para consolidar o desenvolvimento pacífico das relações e destacou o consenso de 1992 e a rejeição à independência formal, que constituíram os principais pontos da cúpula.

A reunião acontece dois meses antes das eleições presidenciais e legislativas em Taiwan, nas quais a líder do independentista Partido Democrático Progressista (PDP), Tsai Ing-wen, é a grande favorita para suceder Ma Ying-jeou.

O presidente taiwanês pediu a Xi a retirada dos quase 1.500 mísseis chineses que apontam para a ilha, já que a China mantém em vigor uma lei que não descarta o uso da força se Taiwan declarar independência.

Ma acrescentou que ambas as partes concordaram em que "não cabe o independentismo" de Taiwan, já que "vai contra a Constituição".

Repercussão. Os EUA elogiaram a reunião histórica entre os presidentes da China e de Taiwan, destacando que "é tempo de avançar pela redução das tensões entre os dois governos e de promover a estabilidade por meio da dignidade e do respeito". O porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby, disse ainda que os americanos têm "interesse permanente na paz no Estreito de Taiwan". 

Para J. Michael Cole, especialista em China, a reunião foi sobre generalidades e, no fundo, não vai mudar nada. “É histórico porque é a primeira reunião, mas eu não chegaria a dizer que é muito importante.” De toda forma, acrescentou Cole, Ma deixará o poder em breve, uma vez que não pode se candidatar nas próximas eleições presidenciais, que acontecem já em janeiro.

Protesto. Em Taiwan, houve protestos no aeroporto da capital, Taipé, antes da partida de Ma para o encontro. Os manifestantes queimaram fotos de ambos os líderes e chamavam, aos gritos, Xi de “ditador chinês” e Ma de “traidor”. Na madrugada de sexta para sábado, centenas de manifestantes carregando cartazes com o lema “Independência de Taiwan” tentaram invadir o Parlamento de Taipé. /REUTERS, AFP e EFE​

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