China e EUA desafinam em fala sobre sanções contra Irã

China e EUA desafinam em fala sobre sanções contra Irã

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, teve hoje uma reunião com o presidente da China, Hu Jintao, sobre o impasse nuclear do Irã. A China, segundo funcionários dos EUA, concordou em trabalhar com o governo americano em potenciais sanções para inibir o programa de enriquecimento de urânio no Irã, afirmou um funcionário da Casa Branca. "Eles estão preparados para trabalhar conosco", disse Jeff Bader, assessor de segurança nacional. Segundo Bader, o encontro dos dois líderes foi "construtivo".

AE-AP, Agência Estado

12 de abril de 2010 | 20h23

Já o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Ma Zhaoxu, disse que o país "espera que as diversas partes continuem aumentando os esforços diplomáticos e busquem maneiras efetivas de resolver a questão nuclear iraniana por meio de diálogos". Embora os chineses tenham concordado anteriormente em se unir aos EUA e a outras potências ocidentais nas negociações para impedir que o Irã avance com seu programa nuclear, não havia uma posição formal da China em relação às sanções previstas aos iranianos.

Ma acrescentou que a discussão girou em torno de assuntos de interesse comum aos norte-americanos e aos chineses e que os dois líderes chegaram a um "importante acordo", sem oferecer mais detalhes.

Obama disse hoje esperar que ações "específicas e concretas" resultem da cúpula sobre segurança nuclear que está sendo realizada em seu país. Obama disse que suas consultas com líderes mundiais, pouco antes da abertura do encontro de 47 países, foram "impressionantes". "Eu acredito que é uma indicação de como todos estão profundamente preocupados com as possibilidades do contrabando nuclear", disse.

O presidente americano disse mais cedo acreditar que no final a cúpula levará a "algumas ações bem específicas e concretas" que ajudarão a tornar o mundo um lugar um pouco mais seguro. Funcionários americanos estimam que exista, em vários países, um estoque total de 1.600 toneladas de urânio altamente enriquecido e 500 toneladas de plutônio. Isso seria suficiente para construir mais de 100 mil armas nucleares.

Os líderes dos 47 países debaterão um plano de combate para evitar que terroristas obtenham armas nucleares. A conferência em Washington discutirá aquela que é a "maior ameaça à segurança dos EUA", nas palavras do anfitrião Obama. O encontro tem a meta de garantir que esses materiais nucleares estejam ainda mais seguros em até quatro anos.

Mais cedo, a Casa Branca anunciou que a Ucrânia irá se desfazer do seu estoque de urânio altamente enriquecido até 2012. Robert Gibbs, porta-voz de Obama, disse que a decisão da Ucrânia marca a conclusão de vários anos de esforços dos EUA para que o país do Leste Europeu desistisse do seu estoque. O anúncio foi feito logo após uma reunião, nesta segunda-feira, entre Obama e o presidente ucraniano Viktor Yanukovich.

Dificilmente serão definidas estratégias abrangentes nesse encontro de dois dias. No entanto, Obama já se mostrou otimista, ontem, durante encontros prévios com líderes de Casaquistão, África do Sul, Índia e Paquistão. Segundo ele, as autoridades têm mostrado "comprometimento e um sentido de urgência" diante do tema.

Nova conferência

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse hoje que pedirá aos líderes presentes na cúpula que iniciem negociações para um tratado, porque "o terrorismo nuclear é uma das maiores ameaças que enfrentamos hoje". "É por isso que eu pedirei aos líderes mundiais que se reúnam, talvez em setembro nas Nações Unidas, para avançar essa causa que é essencial para a humanidade", disse Ban.

O secretário-geral da ONU quer que a Conferência para o Desarmamento, que funciona em Genebra, volte a avançar em tratados de desarmamento nuclear. A Conferência pode se mover apenas por consenso e tem fracassado em produzir qualquer acordo significativo desde 1996, quando foi assinado o Tratado para a Proibição de testes Nucleares.

Embora os EUA tenham anunciado uma moratória nos testes nucleares no começo da década de 1990, não assinaram o tratado, bem como outros oito países - Coreia do Norte, Paquistão, Índia, Irã, Israel, China, Egito e Indonésia. A assinatura de todos é necessária para que o tratado entre em vigor. Com informações da Dow Jones.

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