Mandel Ngan/AFP
Mandel Ngan/AFP

China e Europa lamentam suspensão do financiamento dos EUA à OMS

Diplomacia europeia disse não haver razão para o movimento dos americanos, enquanto chineses demonstraram 'profunda preocupação' com a medida

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2020 | 07h48

PEQUIM - Autoridades chinesas e europeias lamentaram o anúncio feito nessa terça-feira, 14, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que vai suspender o financiamento do país à Organização Mundial da Saúde (OMS) por sua gestão da pandemia do novo coronavírus. A China afirmou que está "profundamente preocupada", enquanto a diplomacia europeia considerou uma decisão "sem razão".

Há dias, Washington vem aumento o tom das críticas contra a atitude da agência da ONU, com sede em Genebra, e considera que a OMS se mostrou muito benevolente com a China. Na terça, Trump anunciou a suspensão do financiamento americano à OMS devido à "má gestão" da pandemia. Os Estados Unidos são o país com mais mortes pela covid-19 até o momento, com mais de 25 mil.

"Esta decisão vai reduzir a capacidade da OMS e minar a cooperação internacional contra a epidemia", lamentou Zhao Lijian, porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores. Zhao pediu ao governo dos Estados Unidos que "assuma suas responsabilidades e obrigações com seriedade e apoie as ações internacionais lideradas pela OMS para aliviar esta pandemia".

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, também criticou a decisão dos Estados Unidos. "Lamento profundamente a decisão dos Estados Unidos de suspender o financiamento da OMS. Não há nenhuma razão que justifique este movimento em um momento no qual os esforços são mais necessários do que nunca", afirmou o espanhol.

A Alemanha também criticou a decisão do governo americano. "Devemos trabalhar juntos contra a covid-19. Um dos melhores investimentos é reforçar as Nações Unidas, sobretudo a OMS, que tem pouco orçamento, por exemplo, para desenvolver e distribuir testes e vacinas", afirmou no Twitter o ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas. No atual contexto de saúde, "culpar não ajuda", completou o chefe da diplomacia alemã, antes de destacar que "o vírus não conhece fronteiras".

"Se a OMS tivesse feito o seu trabalho de levar especialistas médicos à China para avaliar objetivamente a situação no terreno e denunciar a falta de transparência da China, o surto poderia ter sido contido em sua fonte com poucas mortes", declarou Trump na terça-feira.

O presidente americano afirmou que os Estados Unidos pagam entre "400 e 500 milhões de dólares por ano" à organização, contra 40 milhões de dólares "ou inclusive menos" pagos pela China.

O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, afirmou que Washington deseja "mudar radicalmente" o funcionamento da organização. "No passado, a OMS fez seu trabalho. Mas desta vez, infelizmente, não está fazendo um bom trabalho e temos que pressionar para mudar radicalmente isto", disse./ AFP

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