China e Indonésia rejeitam sugestão francesa sobre Mianmar

A China e a Indonésia rejeitaramna quinta-feira a idéia da França de usar o Conselho deSegurança da Organização das Nações Unidas (ONU) parapressionar Mianmar, país recentemente devastado por um ciclone,a fim de permitir a entrada de equipes de ajuda humanitária emseu território. Os EUA ainda esperam a junta militar que controla Mianmarautorizar aviões militares a levarem suprimentos até ali. Mas aagência de alimentos da ONU e a Cruz Vermelha/CrescenteVermelho conseguiram finalmente autorização para dar início àremessa de material de ajuda. Diplomatas afirmam que os avançosocorrem de forma excessivamente lenta. A França sugeriu invocar a "responsabilidade de oferecerproteção" da ONU quanto a esse fechado país do sudeste asiáticoa fim de entregar suprimentos sem a aprovação do governo. A proposta de acionar o Conselho de Segurança, no entanto,viu-se rejeitada na quarta-feira pela China, pelo Vietnã, pelaÁfrica do Sul e pela Rússia. Os enviados chinês e indonésio junto à ONU criticaram aeventual politização da crise e rejeitaram as sugestõesdivulgadas por meios de comunicação sobre Mianmar estardificultando as ações das equipes de ajuda ao não concedervistos de entrada. "Acreditamos haver outros fóruns mais adequados paradiscutir a dimensão humanitária da situação de Mianmar",afirmou o embaixador indonésio na ONU, Marty Natalegawa, antesde um encontro do Conselho de Segurança. "Já há uma prontidão da parte de Mianmar para abrir-se àajuda", disse. O embaixador da França junto à ONU, Jean-Maurice Ripert,prometeu que tentaria na quinta-feira, mais uma vez, convencero Conselho de Segurança a intervir para tentar ajudar aspessoas afetadas pelo ciclone de sábado que, segundoestimativas, já chegam perto de 1 milhão. O vice-representante permanente da China na ONU, embaixadorLiu Zhenmin, deixou claro que seu país, que possui poder deveto dentro do Conselho de Segurança, opunha-se a qualquermedida do tipo. "Mianmar enfrenta um desastre natural. Essa não é umaquestão a ser tratada pelo Conselho de Segurança." Diplomatas ocidentais reconheceram que seria difícilconvencer os outros membros do órgão a aprovar o envolvimentodele no assunto. Rádios e TVs oficiais de Mianmar, principais fontes deinformação sobre o número de vítimas do ciclone, divulgaram umacifra de mortos de 22.980 e de 42.119 desaparecidos, além de1.383 feridos. Esse foi o pior ciclone ocorrido na Ásia desde1991, quando um fenômeno do tipo matou 143 mil pessoas emBangladesh. Um diplomata norte-americano em Mianmar afirmou quediplomatas recebiam informações sobre a possibilidade de onúmero de mortos chegar a 100 mil. A ONU afirmou ter recebido permissão de enviar provisõespara o país asiático, mas ressaltou que os membros das equipesde ajuda ainda aguardavam por vistos.

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