China e Japão dialogam em meio a tensão no mar

Chanceleres das potências asiáticas reúnem-se em NY após navios japoneses e taiwaneses trocarem disparos de canhão de água em arquipélago sob litígio

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2012 | 03h06

A temperatura da crise entre Japão e China envolvendo a disputa de ilhotas no Pacífico começou a baixar ontem, depois que os chanceleres dos dois países reuniram-se em Nova York, à margem da Assembleia-Geral da ONU. Pouco antes, em desafio a Tóquio, Pequim ameaçara dar proteção a navios de Taiwan que se aproximassem das ilhas, em meio a escaramuças entre pesqueiros taiwaneses e japoneses.

Apesar dos sinais conciliatórios, ainda é cedo para dar a crise como encerrada. Ontem, navios taiwaneses e japoneses trocaram disparos de canhões de água.

China, Taiwan e Japão disputam a soberania sobre o arquipélago - conhecido por japoneses como "Senkaku" e por chineses e taiwaneses como "Diaoyu" - há décadas, mas a rivalidade cresceu duas semanas atrás depois que o governo de Tóquio comprou ilhas da região, que estavam na mão de proprietários particulares japoneses. A aquisição deu início a uma violenta onda de distúrbios anti-Japão na China. Além de uma ampla zona de pesca, o arquipélago abriga reservas de gás, segundo especialistas.

Enquanto os chanceleres se reuniam em Nova York, vice-ministros da China e Japão se encontravam em Pequim. O governo chinês diz estar determinado a enviar navios de guerra à região, cenário que poderia levar a um confronto entre forças navais.

O conteúdo da conversa entre as autoridades não foi divulgado por nenhum dos dois governos. A imprensa chinesa afirmou que o chanceler de Pequim teria defendido que a compra das ilhas pelo Japão é uma "séria afronta ao status quo do pós-2ª Guerra na região".

Novos amigos. Taiwan, que também reivindica soberania sobre o arquipélago, aproximou-se da histórica rival China para fazer frente ao Japão. A pequena ilha taiwanesa separou-se em 1949 do governo da China continental, que não reconhece a cisão. Nos últimos anos, Taipé e Pequim têm se aproximado.

Sob o argumento de que Taiwan é parte de seu território, a China afirma que os interesses taiwaneses e chineses no arquipélago são os mesmos. A imprensa estatal de Pequim deu ontem ampla atenção à tensão entre 50 pesqueiros e 12 navios da Guarda Costeira de Taiwan, de um lado, e embarcações das forças japonesas, de outro. / AP

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