China e Japão fazem cúpula sob promessa de reaproximação

Com apertos de mão e sorrisos, líderes da China e do Japão realizaram uma cúpula nesta quarta-feira, 11, com o objetivo de consolidar um frágil processo de reaproximação e deixar de lado os rancores advindos da época da Segunda Guerra Mundial. A visita de três dias do primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, ao Japão - a primeira realizada por um líder chinês desde 2000 - deve ser recheada de acordos, discursos e fotos oficiais, tudo para avançar em um processo de aproximação iniciado com a visita feita pelo primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, à China, em outubro.A cooperação econômica é o maior incentivo de aproximação entre as duas potências. A China, a segunda maior economia do mundo (com PIB de US$ 8,572 trilhões em 2006), já é o maior parceiro comercial do Japão, à frente dos EUA. O comércio entre os dois países somou quase 29 trilhões de ienes (US$ 240 bilhões) no ano passado. Muitas companhias japonesas estão investindo para se expandir no mercado chinês, em contrapartida, o país quer assegurar novos investimentos de Tóquio para 2008, quando o acordo de apoio ao desenvolvimento entre ambos vencerá.RelaçõesOs laços sino-japoneses afrouxaram-se durante o governo do antecessor de Abe, Junichiro Koizumi, que realizou visitas anuais ao santuário de Yasukuni, visto na Ásia como um símbolo do passado militarista do Japão. "A viagem ao Japão do premier chinês, Wen Jiabao, será um grande passo rumo a relações estratégicas mutuamente benéficas", afirmou Abe, no início da cúpula. Wen respondeu: "Esse é o objetivo mais importante da minha visita. Precisamos discutir em detalhes sobre o que abarcariam as relações mútua e estrategicamente benéficas." Os esforços para colocar fim ao programa nuclear da Coréia do Norte devem constar dos assuntos debatidos pelos dois dirigentes. Abe e Wen falaram ainda sobre a assinatura de acordos de cooperação no setor energético e no setor de proteção ao meio ambiente. Autoridades dos dois países ainda tentam finalizar um terceiro acordo sobre uma moldura "estratégica" capaz de abrir mais terrenos comuns às duas nações.AtritoEm um gesto simbólico, o Japão e a China assinaram nesta quarta-feira um acordo permitindo que os japoneses retomem a exportação de arroz para os chineses, exportações essas suspensas em 2003, quando o governo da China reviu suas normas de quarentena. Mas, nesse clima ameno, bastou uma estatal chinesa anunciar que havia produzido gás em uma zona disputada pelos gigantes asiáticos para que viesse novamente à tona a rivalidade existente entre os dois países no setor energético e no campo político. Ainda assim, enquanto Abe e Wen falavam sobre cooperação, a empresa chinesa CNOOC Ltd. afirmou ter retirado gás, no ano passado, de um campo de extração do mar do Leste da China, apesar das objeções do Japão ao projeto. A empresa, no entanto, disse não ter extraído gás do campo de Chunxiao, que possui as maiores reservas da área em disputa e que dominou as manchetes nos embates ocorridos entre os dois países a respeito das questões energéticas.

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