China e Rússia condenam escudo antimísseis dos EUA

Presidentes Hu Jintao e Dmitri Medvedev assinam documento conjunto no qual criticam duramente o sistema

Efe,

23 de maio de 2008 | 15h52

Os presidentes da China, Hu Jintao, e Rússia, Dmitri Medvedev, assinaram nesta sexta-feira, 23, em Pequim um comunicado conjunto no qual criticam duramente o escudo antimísseis dos Estados Unidos. "As duas partes afirmam que o estabelecimento de um sistema defensivo global de mísseis, com seu desdobramento em certas partes do mundo e planos para esta cooperação, não ajudará a apoiar o equilíbrio e a estabilidade estratégias. Além disso, prejudica os esforços internacionais de controle de armas e não-proliferação nuclear", diz o documento. Washington pretende instalar dez plataformas de lançamento de mísseis interceptores na Polônia e um sistema de radar controlador na República Tcheca. O objetivo será evitar possíveis ataques de países como o Irã, gerando críticas da Rússia, aliada próxima a Teerã, com quem compartilha interesses econômicos e estratégicos. Em entrevista ao diário Financial Times, o ministro de Exteriores tcheco, Karel Schwarzenberg, afirma que "o tratado básico (com Washington) já está pronto". No entanto, Schwarzenberg reconhece que sua ratificação não está assegurada no Parlamento tcheco, onde o Governo de centro-direita de Mirek Topolanek possui 100 das 200 cadeiras e pode ficar a um ou dois votos de distância da maioria necessária. "Teremos problemas no Parlamento", explica o chefe da diplomacia tcheca, segundo o qual o pequeno Partido Verde, que apoiou a nomeação de Topolanek como chefe de Governo, está dividido sobre o assunto. Segundo as pesquisas, dois terços dos tchecos se opõem à instalação desse radar, que também gerou os protestos do Greenpeace, que ocupou as montanhas de Brdy, ao sudoeste de Praga, onde ele deverá ser instalado.  Apesar de China e Rússia já terem condenado em ocasiões anteriores o escudo antimísseis americano, os dois países ainda não tinham feito uma condenação conjunta. A cooperação energética e militar também está incluída na agenda da visita de Medvedev, durante a qual China e Rússia concluirão um acordo avaliado em US$ 1 bilhão para o fornecimento de urânio semi-enriquecido russo à China e a construção neste país de uma planta de enriquecimento do mineral. O reforço da cooperação militar, depois que os dois exércitos começaram a fazer exercícios juntos em 2005, será outro dos assuntos presentes nas conversas. Em matéria militar, Medvedev manifestou sua intenção de assinar um acordo de proteção da propriedade intelectual de armamento - uma de suas principais exportações para a China - depois que Moscou afirmou recentemente que alguns equipamentos militares chineses eram mera cópia dos seus.

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