China e Rússia discutem Irã e Síria na cúpula da OCX

O governo de Pequim declarou nesta terça-feira que China e Rússia se opõem a uma intervenção estrangeira e a uma mudança forçada de regime na Síria. A declaração foi feita durante visita ao país do presidente russo Vladimir Putin, em viagem cujo objetivo é reforçar os laços entre os dois vizinhos. A declaração foi feita um dia antes do começo do encontro anual, na capital chinesa, da Organização para Cooperação de Xangai (OCX), uma entidade política que reúne Rússia, China e mais quatro países da Ásia Central, Casaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Usbequistão. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, também deverá comparecer ao evento. O Irã é um país observador na OCX.

AE, Agência Estado

05 de junho de 2012 | 17h54

As relações econômicas e estratégicas próximas da Rússia e da China com o Irã deverão ter um papel importante no encontro desta semana, embora a Síria também esteja na agenda. O Irã buscará mais apoio da Rússia e a China enquanto sofre crescentes pressões e embargos ocidentais por causa do programa nuclear. Índia, Paquistão e Mongólia também são Estados observadores na OCX.

Ahmadinejad deverá buscar mais garantias sobre os acordos de energia entre o Irã e a China, que compra grande parte do petróleo iraniano. A China reduziu suas compras no começo deste ano mas fontes familiarizadas com o assunto dizem que isso ocorreu devido a disputas de preços e não a pressões do Ocidente. O Irã é o terceiro maior fornecedor de petróleo da China, que no ano passado comprou 557 mil barris dos iranianos. O maior fornecedor de petróleo à China é a Arábia Saudita, seguida por Angola.

A China também deverá discutir com a Rússia a cooperação energética entre os dois países. Grandes projetos para levar o gás natural russo à China foram suspensos nos últimos anos. Isso decorreu, em parte, do fato de os russos desejarem que a China pague preços iguais aos que a Europa Ocidental paga pelo gás russo. A China tem evitado isso ao importar mais gás natural do Turcomenistão, do qual comprou 4,8 milhões de toneladas entre janeiro e abril deste ano, volume 75% superior sobre igual período do ano passado.

"Sobre a questão síria, China e Rússia têm mantido comunicação e coordenação tanto em Nova York, Moscou e Pequim", declarou o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Liu Weimin, aos jornalistas.

"A posição dos dois lados é clara para todos - deve ocorrer o fim imediato da violência e o processo de diálogo político deve ser lançado o mais rápido possível", disse ele.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.