China e Rússia evitaram punições mais contundentes

Para conseguir o apoio de países relutantes como China e Rússia, os EUA tiveram de se contentar com sanções contra o Irã bem menos "paralisantes" do que defendia a secretária de Estado Hillary Clinton. E dentro dos EUA já se fala nessas sanções apenas como ponto de partida para medidas mais duras, impostas pelo Congresso americano, e como estímulo para países europeus também adotarem bloqueios mais rígidos ao Irã.

Análise: Patrícia Campos Mello, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2010 | 00h00

Os EUA queriam algum tipo de embargo energético contra o Irã, mas a resolução limita-se em mencionar a potencial ligação entre a receita do setor energético iraniano e suas atividades nucleares. Isso veio bem a calhar para a China, que desenvolve três campos de exploração de petróleo na região. Os EUA queriam também impedir países de manter negócios com o Banco Central do Irã, mas o texto pede apenas que as nações "se mantenham vigilantes em relação a transações envolvendo os bancos iranianos, entre eles o banco central". Para ganhar o apoio da Rússia, os EUA efetivamente tiraram das sanções um acordo de venda de mísseis russos para o Irã. Os mísseis que a Rússia quer vender podem ser usados pelo Irã para defender-se de ataques de Israel ou dos EUA contra suas usinas nucleares.

Sanções contra o setor energético, como barrar a venda de gasolina, é que realmente poriam pressão na economia iraniana. Mas nada próximo disso foi aprovado. Mesmo assim, é bom lembrar que qualquer sanção afetará um país que já sofre com desemprego, crescimento perto de zero e receitas do petróleo declinantes.

Para observadores, sanções diluídas eram melhores do que nenhuma. O fato de os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança terem chegado a um acordo enviaria uma mensagem de unidade a Teerã. Mas daí a desencorajar os iranianos de obter a bomba, caso eles estejam a caminho disso, são outros quinhentos.

Cliff Kupchan, diretor do Eurasia Group, acha que a resolução aumentará a tensão entre Irã e Ocidente e Teerã eventualmente vai adquirir capacidade de fabricar armas nucleares. Kupchan acha que o voto contrário de Brasil e Turquia foi significativo. "Representa a perspectiva de um desafio dos poderes emergentes contra os poderes estabelecidos." É a primeira vez que há votos "não" em seis resoluções contra o Irã. Para Christopher Sabatini, diretor do Council of Americas, "o Brasil enterrou suas chances de ganhar um assento permanente no CS".

É CORRESPONDENTE DO "ESTADO"

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