Tom Brenner/The New York Times
Tom Brenner/The New York Times

China e Rússia monitoram ligações de Trump em iPhone pessoal, diz NYT

Fontes do governo e ex-funcionários de Washington disseram que comunicação particular do presidente é ouvida por espiões para tentar descobrir o que ele pensa, quem ouve e como influenciá-lo; Pequim, Moscou e o líder republicano negam acusação

O Estado de S.Paulo

25 Outubro 2018 | 11h46

WASHINGTON - As ligações que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faz de um iPhone pessoal para amigos - nas quais trata de assuntos banais, fofoca ou pergunta como eles avaliam seu governo -, são monitoradas pela China e pela Rússia em busca de insights sobre a melhor forma de lidar com o republicano e influenciar sua administração, disseram fontes do alto escalão do governo e ex-funcionários de Washington ao jornal The New York Times.

Trump negou nesta quinta-feira, 25, os relatos e disse que a reportagem do NYT era chata e estava errada. "Os chamados especialistas em Trump no New York Times escreveram um artigo longo e chato sobre o uso de meu celular que é tão incorreto que não tenho tempo aqui para corrigi-lo", escreveu Trump em um tuíte no começo da manhã. “Eu uso apenas telefones do governo. Tenho apenas celular do governo que uso raramente. A história esta muuuuito errada!

Em uma segunda mensagem na rede social, Trump voltou a comentar a reportagem , que qualificou como "mais uma fake news inventada" pelo NYT - acusação frequente do republicano contra o diário. 

"O New York Times tem uma reportagem falsa de que agora os russos e os chineses (ainda bem que finalmente incluíram a China) estão ouvindo todas minhas ligações em telefones celulares. Só que raramente uso um celular e quando faço isso é autorizado pelo governo. Eu gosto de telefones fixos", escreveu o presidente americano.

De acordo com NYT, assessores de Trump já o alertaram repetidas vezes de que seus telefones pessoais não são seguros e disseram que espiões russos também estão ouvindo as chamadas rotineiramente. As fontes ouvidas pelo diário dizem que os conselheiros pressionam o presidente para que use a linha fixa da Casa Branca com mais frequência.

Além do próprio Trump, Pequim e Moscou negaram as alegações e disseram que seus serviços de espionagem não monitoram as comunicações do presidente americano.

Em tom de ironia, a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China disse que caso o Trump caso se preocupe com a possível espionagem estrangeira no iPhone do presidente pode usar um celular da fabricante chinesa Huawei ou cortar totalmente as relações com o mundo exterior - por suspeitas de segurança, no entanto, as autoridades e militares americanas foram proibidas de usar aparelhos da Huawei.

“Lendo a reportagem sinto que hoje, nos Estados Unidos, realmente há pessoas dando o máximo de si para ganharem o Oscar de melhor roteiro”, disse a porta-voz da chancelaria chinesa, Hua Chunying, nesta quinta-feira.

Essas reportagens são “prova de que o New York Times escreve notícias falsas”, disse ela, acrescentando duas sugestões aparentemente dirigidas à gestão Trump. “Se eles realmente estão muito receosos de os telefones da Apple serem invadidos, podem passar a usar Huawei”, afirmou, referindo-se à maior fabricante chinesa de equipamentos de telecomunicação.

“Se mesmo assim não estiverem sossegados, então, para poderem ter um aparelho inteiramente seguro, podem parar de usar todas as formas de comunicação moderna e cortar todos os laços com o mundo exterior”.

Em Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, também questionou a credibilidade do New York Times e atribuiu essa informação "ao declínio dos padrões jornalísticos".

O NYT não deu muitos detalhes sobre a suposta espionagem de Pequim e Moscou. Explicou apenas que as comunicações presidenciais foram interceptadas na rede de telefonia celular dos Estados Unidos.

Neste ano surgiram vários questionamentos sobre a vigilância de celulares na área de Washington. O Departamento de Segurança Interna disse em uma carta enviada a vários senadores em março que observou atividades na capital que são características de ladrões de identidade de aparelhos portáteis. / AFP, REUTERS, EFE e WASHINGTON POST

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