China e Rússia rejeitam texto mais duro à crise coreana

China e Rússia anunciaram mais uma vez sua rejeição a uma resolução contra a Coréia do Norte e insistiram que o Conselho de Segurança da ONU adote apenas uma declaração presidencial, sem o mesmo peso legal. A China distribuiu aos 15 membros do Conselho uma minuta de declaração presidencial. O conteúdo do texto é quase o mesmo do projeto de resolução apresentado pelo Japão, mas sem o caráter obrigatório.O documento exige que a Coréia do Norte respeite a moratória unilateral assinada em 1999 e volte às conversações de multilaterais, com Estados Unidos, Rússia, China, Coréia do Sul e Japão, para abandonar seus programas nucleares.Os outros membros da ONU são orientados a não transferir material e tecnologia que a Coréia do Norte possa usar para fabricar mísseis ou desenvolver programas de armas de destruição em massa. No entanto, a minuta não considera o lançamento de mísseis por parte da Coréia do Norte uma ameaça à paz e à segurança mundiais.O embaixador da China na ONU, Wang Guangya, disse que o objetivo da sua proposta é "obter uma resposta unificada do Conselho" para a crise dos mísseis. Ele defendeu uma decisão "responsável, construtiva e prudente". A diferença entre a resolução defendida pelo Japão e a declaração presidencial proposta pela China, segundo Guangya, é a citação do Capítulo VII da Carta da ONU."O Capítulo VII causa sempre uma grande preocupação para a China, porque abre um precedente para outras ações que piorem a situação no futuro", explicou. O Capítulo VII abre o caminho para a imposição de sanções, entre elas diplomáticas e econômicas, além da intervenção militar.Negociações"Durante o fim de semana, a China fez muitos esforços para melhorar o texto da declaração presidencial. Esperamos que os demais países também demonstrem flexibilidade", afirmou. O Japão decidiu adiar a votação de sua resolução, à espera dos resultados da missão que a China enviou à Coréia do Norte para desbloquear as negociações.O embaixador da Rússia, Vitaly Churkin, opinou que o Conselho de Segurança deve dar uma "mensagem firme e unânime" e apoiou a minuta de declaração presidencial da China. "Não entendemos a insistência num projeto de resolução, que consideramos muito emotivo inadequado política e legalmente nas circunstâncias atuais", disse.Churkin citou o editorial do jornal The New York Times, observando que a Coréia do Norte não violou nenhuma obrigação internacional, já que a moratória de 1999 foi unilateral. No entanto, para o embaixador britânico, Emyr Jones Perry, o texto da declaração presidencial não é firme o bastante e não ajudará a resolver a crise."A declaração não reconhece as ações da Coréia do Norte como uma ameaça. Por isso, achamos mais lógico manter a resolução, que é a resposta certa, e adiar a decisão até sabermos qual é a posição norte-coreana", assinalou. O embaixador do Japão, Kenzo Oshima, disse que, se os mísseis norte-coreanos tivessem apontando para outra direção, a posição de Pequim seria diferente. "O lançamento de mísseis significa uma ameaça real ao Japão e a outros países da região", declarou. Japão insiste em que lançamento de mísseis norte-coreanos significa real ameaça ao país e à região

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