China e Rússia tentam ganhar mais tempo para Assad

Aliados da Síria, Pequim e Moscou querem salvar acordo de paz de Annan e evitar pressão por sanções na ONU

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2012 | 03h02

China e Rússia insistem que o prazo de hoje não pode ser considerado como a última chance para um acordo na Síria, enquanto o risco iminente de um fracasso no plano de paz proposto por Kofi Annan mobilizou a diplomacia internacional ontem.

Pequim e Moscou são os principais aliados de Bashar Assad, mas sabem que o acordo de Annan seria uma saída para evitar uma pressão ainda maior por uma intervenção estrangeira. Na ONU, mediadores ligados a Annan indicaram ao Estado que um eventual colapso das negociações significaria que tanto o Ocidente quanto a Liga Árabe buscariam uma forma de levar a crise para o Conselho de Segurança da ONU, o que chineses e russos tentam evitar.

Pequim fez um apelo a Assad e insistiu que todas as partes envolvidas no conflito devem abandonar as armas imediatamente e respeitar o compromisso com Annan. Para o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Liu Weimin, a comunidade internacional precisa dar a Annan mais tempo para avaliar se o cessar-fogo de fato funcionou. "Pensamos que uma resolução final exige que todas as partes sentem e dialoguem", declarou após encontro com o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan.

Blindagem. Ontem, o chanceler sírio, Walid Muallem, viajou para a Rússia para reunir-se com o chanceler russo, Sergei Lavrov. O Kremlin saiu em apoio a Annan, mas evitou pressionar Assad publicamente.

"Tentativas de forçar uma solução na Síria a partir do exterior apenas provocarão uma escalada da tensão", disse o vice-chanceler, Gennadi Gatilov, insistindo que qualquer mudança de governo precisa vir de um processo interno. "Tudo deve ser feito respeitando a soberania síria."

Segundo ele, russos e sírios estariam trabalhando para encontrar formas de parar a violência e iniciar um diálogo político, sem dar qualquer detalhe, nem condenar a violência. Damasco insistiu que cumprirá o cessar-fogo a partir de hoje, mas repetiu as exigências divulgadas no domingo, que a oposição garanta por escrito que também cessará a violência.

"Annan não ofereceu garantias por escrito de que os grupos terroristas concordam em parar a violência e nem garantias de que Catar, Arábia Saudita e Turquia vão parar de financiar esses grupos", disse a chancelaria síria em comunicado.

Os rebeldes recusaram-se a aceitar. Na ONU, a nova condição imposta por Assad foi interpretada como uma exigência de capitulação total dos opositores, antes de iniciar o diálogo. Os rebeldes disseram que respeitarão o cessar-fogo desde que Assad o faça e garantiram que o Exército Sírio Livre mantém o "compromisso total com o plano de Annan". / J.C.

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