China e Taiwan assinam acordo de livre-comércio

Histórico tratado permite redução tarifas de 800 produtos dos dois países e abre uma nova era nas relações, que estão em conflito desde 1949

29 de junho de 2010 | 04h45

P. K. Chiang, presidente da tawanesa SEF e Chen Yunlin, da chinesa ARATS, selam o acordo. Há mais de 15 anos as instituições conduzem as negociações entre os territórios  

 

CHONGQING, CHINA - Delegações de China e Taiwan assinaram nesta terça-feira, 29, na cidade central chinesa de Chongqing o Acordo Marco de Cooperação Econômica (AMCE), um tratado de livre-comércio que abre uma nova era nas relações entre dois territórios em conflito desde 1949.

O tratado foi assinado pelos presidentes da chinesa Associação para as Relações através do Estreito (ARATS) e a taiuanesa Fundação Intercâmbios do Estreito (SEF), que há mais de 15 anos conduzem as negociações entre os territórios.

O acordo reduzirá tarifas para cerca de 800 produtos chineses e taiuaneses nos respectivos mercados e, segundo as duas partes, é o mais importante assinado em seis décadas, pois será fundamental para o futuro econômico de Taiwan e representa uma aproximação sem precedentes de Pequim à "ilha rebelde".

A assinatura marca o fim de dois anos de negociações entre ARATS e SEF, coincidindo com o retorno ao poder em Taiwan do Partido Nacionalista Kuomintang (KMT).

As negociações estiveram suspensas entre 1997 e 2008, especialmente durante o governo na ilha do independentista Chen Shui-bian (atualmente preso por corrupção).

As duas partes destacaram o histórico do acordo, que segundo afirmou nesta terça-feira o presidente taiuanês, Ma Ying-jeou, em Taipé, "fomentará a internacionalização da ilha e evitará sua marginalização comercial".

Por outro lado, os independentistas taiuaneses, agora na oposição, se referem ao acordo como um "cavalo de Tróia" usado pelo governo chinês, e asseguram que é mais um passo no processo do KMT para reunificar a ilha com o território do qual esse mesmo partido se separou em 1949.

Entretanto, o governo nacionalista de Taiwan, apoiado pela China, defende o acordo como única saída viável perante o perigo de isolamento regional para a economia taiuanesa, mais afetada pela crise global que o gigante asiático.

Os empresários taiuaneses, que defendem o acordo, estavam, além disso, atemorizados pelos efeitos negativos que podem ser causados pelo Tratado de Livre-Comércio entre China e a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), em vigor desde o início deste ano.

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