China e Taiwan negociam após quase uma década de tensões

Líderes negociam vôos diretos; reunião de representantes dos dois lados sinaliza esfriamento de tensão

Efe e Associated Press,

12 de junho de 2008 | 08h22

Representantes da China e de Taiwan deram nesta quinta-feira, 12, um passo histórico ao retomar um diálogo que já estava interrompido há nove anos, a fim de iniciar vôos diretos entre ambos os territórios, divididos e sem conexões de transporte desde a guerra civil de 1949.   Os negociadores chegaram a um acordo por meio do qual os dois lados estabelecerão escritórios permanentes em Pequim e Taipé para coordenar o prosseguimento dos contatos. Uma porta-voz de Taiwan disse que um consenso sobre a medida foi alcançado durante as reuniões realizadas na manhã de hoje em Pequim. Sob condição de anonimato, a porta-voz, disse que o anúncio formal deve ser feito ainda nesta quinta, depois que forem acertados os últimos detalhes.   Chen Yulin, presidente da Associação Chinesa para as Relações no Estreito de Taiwan (Arats, na sigla em inglês) e Chiang Pin-kun, diretor da Fundação de Intercâmbios do Estreito (FIE), iniciaram a histórica reunião na Casa de Hóspedes de Estado de Diaoyutai, informa a agência oficial Xinhua. O objetivo das negociações atuais, segundo a BBC, é discutir a possibilidade de criação de vôos diretos entre os dois países e o acesso de turistas chineses à ilha.   Apesar do encontro histórico entre as autoridades, há pouca expectativa de resultados práticos. Com exceção de alguns feriados, não há vôos diretos diários entre os dois lados desde 1949, ano da guerra civil na China. Taiwan também pleiteia vôos de carga para a China. O pedido de Taiwan faz parte das promessas eleitorais do novo presidente Ma Ying-jeou, que tem planos para reanimar a economia da ilha e melhorar as relações com a China.   Entre os objetivos das negociações, que se prolongarão até sexta-feira, se incluem também a entrada de turistas chineses na ilha e o envio de ajuda humanitária para o devastador terremoto do sudoeste da China, que matou cerca de 70 mil pessoas. Estes acordos de caráter econômico são um primeiro passo para iniciar uma nova era que põe fim a 59 anos de hostilidades e desavenças entre a China e Taiwan.   A China considera Taiwan como parte do seu território e ameaça usar força caso a ilha declare independência.

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