Alexander F. Yuan/AP
Alexander F. Yuan/AP

China e Taiwan têm conversas diretas pela 1.ª vez desde 1949

Negociações ocorreram em Nanquim, mas nenhum acordo formal foi assinado

O Estado de S. Paulo,

11 de fevereiro de 2014 | 12h52

NANQUIM - China e Taiwan concordaram em realizar conversas diretas formais pela primeira vez em 65 anos. Nesta terça-feira, 11, os dois governos participaram de um encontro histórico.

Foi a primeira vez que os representantes dos países tiveram uma conversa formal desde que foram divididos em dois, na guerra civil de 1949. A conversa de duas horas ocorreu na cidade de Nanquim, leste da China.

Nenhum acordo formal foi assinado, mas os dois lados disseram que o fato de poderem se encontrar como iguais marca um importante passo adiante. "A realização desta reunião marca um novo capítulo em nossas relações", disse o enviado taiwanês Wang Yu-chi durante coletiva de imprensa após as conversações.

Ma Xiaoguang, porta-voz da delegação chinesa, liderada por Zhang Zhijun, disse que o estabelecimento de um canal regular de comunicação entre os dois lados foi o resultado mais significativo das discussões. "Nós temos muita responsabilidade. Não podemos deixar as relações enfrentarem novos obstáculos, muito menos permitir que recuem."

A escolha de Nanquim como local de encontro tem alguns significados. A cidade foi a capital do governo nacionalista de Chiang Kai-shek durante a guerra contra Mao Tsé-tung antes de os nacionalistas serem forçados, 65 anos atrás, a fugir do continente para a ilha de Taiwan. Trata-se também da localização do túmulo do fundador da China republicana, Sun Yat-sen, que é reverenciado tanto em Pequim quanto em Taipé.

Wang vai visitar, na quarta-feira, o mausoléu onde Sun Yat-sen está enterrado antes de seguir para Xangai, onde fará um discurso e uma série de visitas de cortesia. Não estão planejados novos encontros entre Wang e Zhang.

Mais cedo, Zhang disse que as conversas tiveram como objetivo consolidar o consenso obtido em reuniões anteriores, mas não esclareceu suas declarações. "Nossa reunião era algo inimaginável antes, mas se realmente queremos alcançar alguns avanços, precisamos usar um pouco de criatividade."

Segundo Zhang, foi discutido o desejo de Pequim de ver Taiwan ratificar um acordo de comércio de serviços que permitiria os dois lados abrirem uma grande quantidade de empresas no território vizinho. Pequim aprovou o acordo há mais de seis meses, mas ele ainda está parado no Legislativo de Taiwan, o que reflete o temor dos moradores da ilha de serem dominados pelo vizinho./ AP e NYT

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