China eleva para 15 mil o número de mortos em terremoto

Equipes de resgate lutam para encontrar vida sob os escombros; quase 26 mil pessoas ainda estão soterradas

Agências internacionais,

14 de maio de 2008 | 07h40

Helicópteros militares lançam alimentos e medicamentos para os sobreviventes das áreas mais remotas atingidas pelo maior terremoto que atingiu a China nas últimas três décadas. O último balanço de vítimas fornecido pela agência estatal Xinhua estima que quase 15 mil pessoas tenham morrido, embora autoridades chinesas temam que o número supere os 20 mil, após a confirmação da morte de mais 7.700 pessoas na província vizinha de Wenchuan, região do epicentro do tremor. A agência afirmou ainda que pelo menos 26 mil pessoas estão soterradas e outras 14 mil desaparecidas.   Veja também: China tenta evitar que barragem se rompa Prejuízos podem chegar a US$20 bilhões Entenda como acontecem os terremotos  Vídeo com imagens do terremoto  De Pequim, Cláudia Trevisan fala sobre o terremoto    Enquanto a ajuda começa a chegar nas áreas de acesso mais difícil, algumas pessoas presas aos escombros por mais de dois dias ainda são retiradas com vida. Porém, a enorme escala de devastação. Segundo He Biao, subsecretário-geral do Governo da Prefeitura de Aba, apenas 2.300 pessoas sobreviveram à catástrofe na cidade de Yingxiu, e, por isso, não se acredita que os outros 7.700 residentes continuem vivos, informou a agência Xinhua. "A situação em Yingxiu é ainda pior que o esperado", explicou um funcionário local.   O número oficial de mortos no terremoto é de 14.866, mas o temor é de que a cifra aumente ainda mais, informou a agência de notícias Nova China. Somente na província de Sichuan, a mais afetada, 25.778 pessoas estão soterradas e 14.051 são consideradas desaparecidas, disse o vice-governador Li Chengyun.  O saldo aumenta a cada avanço das equipes de resgate nas cidades atingidas na província de Sichuan.   Equipes de resgate na China estão enfrentando dificuldades para chegar às milhares de vítimas do terremoto de segunda-feira devido à forte chuva que atinge a região e ao bloqueio das estradas depois do tremor. A escala da tragédia é tamanha que centros provisórios de ajuda e abrigos temporários para sobreviventes espalham-se com rapidez por uma área de desastre do tamanho da Bélgica. Ao contrário de alguns desastres naturais ocorridos nas últimas décadas na China, a mídia estatal está noticiando amplamente a tragédia. A televisão estatal cancelou sua grade de programação normal para manter uma cobertura contínua do terremoto.   Segundo a BBC, o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao prometeu que não serão poupados esforços para o resgate dos que estão presos nos escombros e para a busca de sobreviventes. "Vamos salvar as pessoas", disse ele em Shifang. Mas o premiê chinês reconheceu que as condições para o resgate são difíceis. "A situação é pior do que o esperado e os locais de resgate são complexos", afirmou.   "Eles podiam ouvir as pessoas pedindo ajuda debaixo dos escombros, mas ninguém podia ajudar, pois não havia uma equipe profissional de resgate", disse He Biao, uma autoridade da cidade. "Quando o tempo melhorar, o Exército vai começar a lançar (com aviões) carregamentos de alimentos e remédios na cidade", disse Li Shiming, comandante do Comando Militar da área de Chengdu, à agência Xinhua.   Apesar dos esforços de resgate, muitos ainda estão soterrados. Somente em uma cidade, Mianyang, perto do epicentro, mais de 18 mil pessoas foram soterradas pelos escombros e 7.395 mortes foram confirmadas, segundo a agência de notícias oficial chinesa Xinhua. As autoridades chinesas afirmam que mais de 3,5 milhões de casas foram destruídas pelo terremoto, que atingiu 7,9 pontos na escala Richter e teve seu epicentro no condado de Wenchuan, a cerca de 100 quilômetros da capital da província, Chengdu.   Cenas de destruição e morte foram mostradas, assim como o trabalho do primeiro-ministro Wen Jiabao, que viajou para Sichuan horas depois do tremor de terra para supervisionar as operações de resgate. Wen foi mostrado removendo escombros e consolando crianças que haviam perdido os pais. Ele também estava por perto quando uma menina de apenas três anos foi resgatada em Beichuan mais de 40 horas depois do terremoto. Ela estava presa sob os corpos dos pais.   As equipes de resgate encontraram Song Xinyi na manhã de terça, mas não puderam retirá-la imediatamente por terem que destroços desabassem sobre ela. Ela foi alimentada e protegida da chuva até que as equipes de resgate conseguissem salvá-la em segurança   Em Dujiangyan, uma mulher de 34 anos no oitavo mês de gestação foi resgatada depois de passar 50 horas sob os escombros. "É um milagre que deve ser atribuído a nosso trabalho em equipe", disse Sun Guoli, comandante do Corpo de Bombeiros de Chengdu, capital de Sichuan.   Matéria atualizada às 11h15.

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