China eleva vigilância para abafar 'Revolução de jasmim'

As autoridades da China aumentaram o policiamento nas ruas, derrubaram alguns serviços de envio de mensagens de texto pelo celular, prenderam pessoas e censuraram na Internet informações relacionadas à "Revolução de Jasmim", movimento aparentemente dentro dos moldes das manifestações pró-democracia ocorridas nos países do Oriente Médio e que convocava os chineses a se reunirem em Pequim, Xangai e outras 11 cidades para participarem de protestos.

AE, Agência Estado

20 de fevereiro de 2011 | 14h12

Em Pequim, três pessoas foram presas, uma delas enquanto tentava distribuir flores de jasmim brancas para centenas de pessoas reunidas no ponto de encontro para o protesto - em frente a uma unidade do McDonald''s na rua comercial mais movimentada da cidade. Em Xangai, a polícia levou três pessoas que estavam próximas ao ponto de encontro depois de elas tentarem chamar a atenção dos transeuntes.

A convocação para o protesto surgiu primeiro no site de notícias Boxun.com, que tem sede nos EUA, mas publica em chinês. A nota falava de "Revolução de Jasmim" - o mesmo nome dado ao protesto na Tunísia - e incentivava as pessoas a "assumirem a responsabilidade pelo futuro" e a pedirem comida, trabalho, habitação e justiça.

Uma pessoa sentada no McDonald''s após o breve protesto em Pequim disse que o encontro de hoje foi um ensaio. "Muitas pessoas aqui são usuárias do Twitter e vieram para assistir, assim como eu", disse Hu Di, de 42 anos. "Na verdade isso não teve muita organização, mas é uma chance de nos conhecermos. É como nos prepararmos para o futuro."

A polícia pedia às pessoas para que não ficassem paradas. Liu Xiaobai, de 25 anos, colocou um jasmim branco num canteiro em frente ao McDonald''s e tirou algumas fotos com o telefone celular. "Estou bastante assustado porque eles levaram o meu telefone. Eu só coloquei umas flores, o que isso tem de errado?", disse ele. "Sou um cidadão normal e só quero paz." As forças de segurança tentaram levá-lo, mas ele foi cercado por jornalista e conseguiu abandonar o local.

Em Xangai, os três homens levados pela polícia estavam reclamando do governo e do preço elevado da comida. Algumas pessoas mais velhas foram atraídas pelo protesto e também começaram a reclamar e a pedir democracia e o direito de voto. Uma mulher pulou num bloco de cimento e gritou "o governo é todo de vagabundos". Ela saiu correndo em seguida, mas posteriormente voltou, gritou com a polícia e fugiu de novo.

Hoje as buscas por "jasmim" foram bloqueadas no maior serviço de microblog da China e as atualizações de status que utilizavam a palavra na rede social Renren.com culminavam em uma mensagem de erro e em um alerta sobre mensagens de conteúdo político "sensível ou inapropriado". O Boxun.com disse que seu website foi atacado por hackers no sábado após a publicação da convocação para o protesto.

Ontem, durante um discurso para autoridades nacionais e das províncias, o presidente da China, Hu Jintao, ordenou a solução "de problemas proeminentes que possam prejudicar a harmonia e a estabilidade da sociedade." As informações são da Associated Press.

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