China encerra polêmica com a Coreia do Norte por mortes na fronteira

Entretanto chineses pedem 'castigo severo' aos guardas norte-coreanos

10 de junho de 2010 | 04h49

PEQUIM - A China deu por encerrado o incidente com Coreia do Norte no qual morreram três de seus cidadãos depois que as autoridades norte-coreanas ofereceram um pedido oficial de desculpas, mas exigiu que Pyongyang "castigue severamente" seus guardas de fronteira.

 

Em comunicado emitido pelo governo de Liaoning, a província da fronteira com a Coreia do Norte onde aconteceu o incidente do último dia 4 de junho, é indicado que as autoridades norte-coreanas reconheceram sua responsabilidade nas mortes.

 

O texto também assinala que se tratou de um fato "acidental", e se comprometeram a castigar aos responsáveis, segundo a nota. "Os norte-coreanos, além disso, mostraram seu pesar pelas mortes no incidente, e ofereceram suas condolências às famílias dos falecidos e feridos", acrescenta o documento.

 

Pequim, por sua parte, pediu a Pyongyang que "investigue a fundo, castigue severamente os responsáveis e enfrente as questões geradas pelo incidente".

 

As autoridades de defesa fronteiriça "evitarão que estes fatos se repitam", destaca o texto. Na última terça-feira, 8, o governo chinês anunciou que tinha enviado um protesto formal contra a Coreia do Norte pelas mortes, que afetaram as relações entre dois países tradicionalmente aliados.

 

Na manhã do dia 4 de junho, alguns residentes da cidade chinesa de Dandong foram atingidos por disparos de guardas norte-coreanos da fronteira, aparentemente em território desse país, sob suspeita de que estavam cruzando a fronteira para realizar atividades comerciais.

 

O incidente acontece em meio a grandes pressões internacionais para que a China, o maior aliado político e fornecedor do regime de Kim Jong-il, apoie as sanções contra Pyongyang pelo afundamento de um navio sul-coreano em março, o "Cheonan" no qual morreram 46 tripulantes.

 

A China, que apoiou militarmente a Coreia do Norte na guerra contra o Sul (1950-53), evitou condenar diretamente seu vizinho pelo afundamento, assegurando que ainda espera a confirmação dos resultados das investigações, e assinalando que se trata de um incidente "muito complicado".

 

A Coreia do Norte, por sua parte, manteve uma atitude distinta perante os dois fatos: se no ataque contra cidadãos chineses, segundo fontes deste país, ofereceu suas desculpas, não o fez no caso do Cheonan (em vez disso, aumentou a agressividade de suas declarações contra a Coreia do Sul).

 

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