Bloomberg photo by Krisztian Bocsi
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China enfrenta obstáculos para crescer

Para o presidente Xi Jinping cumprir promessa de dobrar a renda do país em 10 anos, economia precisará crescer em torno de 6,5% ao ano

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2017 | 05h00

WASHINGTON - A China deverá crescer em torno de 6,5% por ano até 2020, o que permitirá que Xi Jinping cumpra sua promessa de dobrar a renda do país em uma década. Mas a segunda maior economia do mundo poderá encontrar obstáculos em sua ascensão na metade da próxima década, em razão do rápido envelhecimento de sua população e redução no ritmo de urbanização.

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“A crescente concentração de poder nas mãos de Xi também poderá levar ao surgimento de dissidências”, disse Elizabeth Economy, diretora de Estudos Asiáticos do Council on Foreign Relations. Para ela, não há mistério em relação às prioridades de Xi: fortalecimento do papel do Partido Comunista na sociedade, forte presença estatal na economia, limites crescentes à influência estrangeira e política externa agressiva.

“Na semana passada, soubemos que houve uma tentativa de golpe contra Xi. É um sistema político fechado e não temos acesso para entender a abrangência e a profundidade de eventual descontentamento”, observou. Xi Jinping teria reprimido uma tentativa de tomada de poder por Sun Zhengcai, que até julho era secretário-geral do Partido Comunista na megacidade de Chongqing, de 30 milhões de habitantes.

Sun era um dos 25 membros do Politburo e chegou a ser cotado para integrar o Comitê Permanente, o grupo de sete homens que detém o poder máximo na China. Sun teria conspirado com ex-dirigentes que caíram em desgraça na campanha de combate à corrupção promovida por Xi Jinping. A informação foi revelada por uma autoridade chinesa, um indício de que o partido não vê o movimento como uma ameaça real.

A habilidade dos líderes chineses de manter o controle do país depende em parte de sua capacidade de gerar crescimento econômico. Depois de índices de expansão de dois dígitos por quase 30 anos, o ritmo chinês desacelerou para 6,5%, patamar mais sustentável. A dúvida é por quanto tempo o país poderá manter o ritmo.

Arthur Kroeber, sócio-fundador da consultoria Gavekal Dragonomics, acredita que a China enfrentará ventos contrários a partir da metade da próxima década, com a urbanização e farta oferta de mão de obra.

“A população economicamente ativa está encolhendo. Hoje, há seis pessoas em idade ativa para uma em idade de aposentadoria, igual ao Japão em 1980. Em 2040, serão dois para um, assim como o Japão hoje”, disse Kroeber. “A China está se tornando uma sociedade velha rapidamente e me pergunto se uma sociedade tão velha terá o dinamismo necessário para exercer o tipo de liderança que eles aspiram.”

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