China enfrenta oposiçao também dentro de casa

Além de tibetanos, outras etnias reivindicam independência

Agências internacionais,

10 de abril de 2008 | 21h42

A autonomia do Tibete entrou em pauta nos últimos dias depois dos grandes protestos na província chinesa e nas cidades que estão no percurso da tocha Olímpica. Verdadeiro caldeirão de etnias, com mais de 50 grupos diferentes reconhecidos pelo governo central, a China enfrenta resistência de outras minorias que, assim como os tibetanos, buscam mais autonomia ou mesmo a independência do governo de Pequim. Os principais grupos separatistas atuam na região da Província Autônoma de Xinjiang e na província da Mongólia Oriental, além de Taiwan.   Veja também:  Entenda o conflito entre Tibete e China O trajeto completo do revezamento da tocha pelo mundo  Os protestos e a ligação histórica com os Jogos Olímpicos     Minoria muçulmana   A minoria muçulmana uigur habita a Província Autônoma de Xinjiang, no nordeste do país. Parte das tribos falantes de turco vindas do centro da Ásia, os uigures também têm comunidades espalhadas pelo Paquistão, Cazaquistão, Mongólia e Alemanha.   Os uigures lutam há anos por sua separação do governo central chinês. Organizações como o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental e a Organização pela Libertação do Turquestão Oriental têm sido responsabilizadas por uma série de atentados contra chineses da etnia han, majoritária no país.   A China ainda é acusada pela organização não-governamental Human Rights Watch de perseguir muçulmanos da região de Xinjiang alegando que eles fazem parte de organizações terroristas. Segundo a ONG, a repressão inclui fechamentos de mesquitas e perseguição de líderes religiosos. Os grupos que comandam a luta separatista contra Pequim são acusados pelo governo chinês de terem ligações com a rede terrorista Al-Qaeda, de Osama Bin Laden.   O novo separatismo uigur data de meados do século passado, mas há registros de rebeliões contra a China nos anos de 1815, 1825, 1830, 1847 e 1857. Pequim anexou o Turquestão Oriental em 1759, que foi renomeado como Xinjiang (nova fronteira).   No final de março, que pelo menos 25 muçulmanos uigures foram presos na província de Xinjiang sob a acusação de estarem fabricando bombas.   Atualmente, os uigur são cerca de oito milhões de pessoas entre as 19 milhões da província de Xinjiang.     Mongóis   Grupos separatistas atuam também na região da Mongólia Interior, que tem 14% de sua população de origem mongol.   Nas últimas décadas do século passado, a região foi tomada, em diversas ocasiões, por protestos por independência e por mais democracia. Uma das organizações que representa os habitantes da região é o Partido do Povo da Mongólia Interior, baseado nos EUA.     Taiwan   A ilha de Taiwan é considerada uma província rebelde pelo governo central chinês. Os conflitos começaram em 1949, quando os nacionalistas do Kuomintang, liderados por Chiang Kai-shek, fugiram das forças comunistas de Mao Tsé-tung e instalaram-se na ilha, fundando a República Democrática da China, em oposição à República Popular da China, de Mao.   Em 1971, Taiwan perdeu a cadeira que tinha no Conselho de Segurança da ONU. Seu lugar foi transferido para a República Popular da China. Em protesto, Taiwan  deixou a organização internacional. O país viveu por décadas sob um regime de exceção, com partido único. As primeiras eleições presidenciais diretas foram realizadas em 1996.   Com um estatuto de soberania ambíguo (Taiwan não é reconhecido como país independente pela comunidade internacional), por décadas, a ilha viveu conflitos com o governo de Pequim, com diversas ameaças de intervenção, caso a ilha resolvesse proclamar sua independência.   Em março deste ano, o candidato do opositor Partido Nacionalista (Kuomintang), Ma Ying-jeou, defensor do fortalecimento dos laços com Pequim, venceu as eleições presidenciais com uma plataforma que é favorável à manutenção da situação atual - nem independência nem reunificação com a China continental. A vitória de Ma colocou fim a oito anos de governos independentistas. O novo presidente, no entanto, declarou que não iniciará uma negociação de paz com Pequim até que os mísseis chineses que estão apontados para a ilha sejam desativados.

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