China enfrenta revolta popular em vila de pescadores

Morte de líder comunitário sob custódia policial desata protestos; forças de segurança cercam local e impedem entrada de alimentos

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2011 | 03h07

A morte sob custódia policial do líder de uma vila de pescadores no sul da China levou milhares de camponeses a desafiarem as autoridades da região e realizarem protestos nos últimos dias, apesar das tentativas do governo de controlar a situação.

Os moradores de Wukan, na Província de Guangdong, construíram barricadas para impedir a entrada de policiais na vila e ocuparam as ruas com acampamentos e faixas de protesto. Do lado de fora, as forças de segurança impedem a entrada de suprimentos, mas os camponeses dizem ter alimentos suficientes para dez dias.

A tensão em Wukan, de 20 mil habitantes, está em alta desde setembro, quando os moradores iniciaram manifestações contra a venda ilegal de terras para empreendedores imobiliários.

Xue Jinbo, de 42 anos, foi escolhido pelo moradores para negociar uma solução com representantes do Partido Comunista. Na semana passada, ele foi preso sob suspeita de ser um dos organizadores dos protestos. No domingo, apareceu morto.

As autoridades sustentam que o líder camponês morreu vítima de um ataque cardíaco, mas sua família afirma que seu corpo apresentava sinais de tortura. As suspeitas foram reforçadas pela recusa das autoridades de entregarem o corpo de Xue para a realização de seu funeral.

A rebelião em Wukan é um dos mais importantes entre os milhares de protestos que ocorrem na China contra problemas relacionados à apropriação indevida de terras agrícolas, poluição, abuso de autoridade e corrupção.

Não há números oficiais, mas vários especialistas estimam que cerca de 180 mil manifestações ocorreram no país no ano passado, o que equivale a quase 500 protestos por dia.

O principal alvo são os representantes locais do Partido Comunista. Normalmente, não há um questionamento do regime e os manifestantes acreditam que as autoridades de Pequim podem solucionar seus problemas.

Segundo a agência oficial de notícias Xinhua, o projeto imobiliário que deu origem à revolta foi suspenso e várias autoridades acusadas de vender terras ilegalmente foram presas. O anúncio, porém, não aplacou a ira dos camponeses, que agora exigem a apuração da morte de Xue.

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