China: enterro de vítimas de tremor em valas gera protestos

Famílias as enterraram em um local próximo a escola; autoridades removeram os corpos para uma vala comum

Efe,

05 de junho de 2008 | 02h23

A exumação dos cadáveres de estudantes que morreram no desmoronamento de uma escola de ensino médio de Muyu (província de Sichuan, sudoeste), durante o terremoto que atingiu a China em 12 de maio, e seu posterior enterro em valas comuns, despertou a ira de seus pais. Segundo publicou nesta quinta-feira, 5, o jornal "South China Morning Post", Muyu foi um dos povoados do distrito montanhoso de Sichuan mais devastados pelo terremoto, que causou o desmoronamento de um centro educativo de três andares e a morte de 297 estudantes. Só conseguiram escapar com vida 139 estudantes, enquanto outros 89 foram resgatados dos escombros pelos serviços de emergência. Nesta situação, muitos pais encontraram os corpos de seus próprios filhos e os enterraram eles mesmos na ladeira de uma colina próxima. No entanto, em 20 de maio, oito dias depois do desastre, as autoridades apareceram e isolaram a zona por motivos de segurança. Dois dias depois, informaram aos pais que, por razões sanitárias, os cadáveres de seus filhos tinham sido exumados e transferidos para uma vala comum cavada a quatro metros de profundidade. Este fato despertou a ira e a indignação das famílias, que se sentem como se tivessem perdido seus filhos pela segunda ocasião. "Não posso encontrar o corpo do meu filho, nem sequer sei onde está enterrado", lamenta Fang Wenxing, pai de um dos alunos falecidos. "Embora o motivo fosse a desinfecção, deveriam ter nos pedido permissão antes de fazê-lo", criticou Zhou Xuede, pai de uma jovem de 15 anos falecida na escola. "Agora não sei como está enterrada, nem onde jaz exatamente", lamenta.

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