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China entrega oficialmente novos compromissos climáticos antes da COP-26

Para muitos especialistas e ONGs, o anúncio de Pequim não é suficientemente ambicioso

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2021 | 13h00

A China, principal emissor mundial de gases de efeito estufa, entregou oficialmente na quinta-feira, 28, seus novos compromissos climáticos, segundo anunciou a ONU, três dias antes do início da COP-26, a conferência crucial contra o aquecimento global.

Pequim se compromete em sua nova "Contribuição Determinada Nacionalmente (NDC, na sigla em inglês)" a atingir seu pico de emissões "até 2030", e a alcançar neutralidade de carbono "até 2060", metas em acordo com as declaradas por seu presidente, Xi Jinping

Estas novas contribuições, apresentadas no site da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), também visam reduzir a intensidade de carbono (emissões de CO2 em relação ao PIB) em mais de 65% em relação a 2005.

Em seu NDC anterior, a China se comprometeu a reduzir sua intensidade de carbono em 60-65% até 2030 e a atingir seu pico de carbono "por volta de 2030". 

Em sua nova contribuição, Pequim lembra que os países desenvolvidos devem "assumir suas responsabilidades históricas e continuar assumindo uma clara liderança na redução de emissões".

A China também se compromete a aumentar o uso de combustíveis não fósseis para 25% (era 20% no NDC anterior), notadamente aumentando sua "capacidade instalada de energia solar e eólica para 1,2 bilhões de kW até 2030" e aumentando sua "reserva" florestal em 6 bilhões de metros cúbicos em relação a 2005. 

O Acordo de Paris, assinado em 2015, com a ambição de manter o aquecimento global abaixo de +2°C (idealmente +1,5°C) em comparação com a era pré-industrial, exige que os países signatários apresentem um NDC revisado para cima a cada cinco anos.

Semeando dúvidas

O novo NDC da China, que emite mais de um quarto dos gases de efeito estufa globais, era ansiosamente aguardado antes da COP-26, que começa no próximo domingo em Glasgow, Escócia.

Ainda mais porque na última segunda-feira, a ONU soou o alarme de que os compromissos apresentados nas últimas semanas apontam para um aquecimento global "catastrófico" de +2,7ºC.

Mas para muitos especialistas e ONGs, o anúncio de Pequim não é suficientemente ambicioso. 

Li Shuo do Greenpeace China acredita que o NDC "lança dúvidas sobre o esforço climático global. O país parece hesitante em estabelecer metas maiores a curto prazo por causa da incerteza econômica interna, mas perde a oportunidade de mostrar ambição. O mundo não pode permitir que esta seja sua última palavra, Pequim deve fazer planos para atingir o pico de emissões antes de 2025", escreveu ele no Twitter. 

Lauri Myllyvirta, analista do Centro de Pesquisa e Ar Limpo (CREA), disse que a nova contribuição chinesa reflete os compromissos do presidente Xi, mas "não esclarece qual será a trajetória de emissões para a próxima década".

Helen Mountford, vice-presidente do World Resources Institute, disse que isso representa "uma modesta melhoria". "Para que o mundo tenha uma chance de enfrentar a crise climática, a China e os outros grandes emissores devem passar de uma política de pequenos passos para saltos gigantescos", acrescentou ela.

A presidente da UNFCCC, Patricia Espinosa, recusou-se a comentar a nova contribuição da China, dizendo que não tinha tido tempo para estudá-la, em uma coletiva de imprensa na tarde de quinta-feira.

Ela defendeu, no entanto, que "estava claro há algum tempo" que o gigante asiático "refletia em seu NDC os anúncios" do presidente Xi Jinping.

A Austrália, maior exportador de carvão do mundo, e cujo primeiro-ministro conservador Scott Morrison apoia regularmente a indústria de gás e mineração, também entregou seu novo NDC na quinta-feira. 

Como anunciado pela Morrison no início da semana, a principal adição é o compromisso de alcançar neutralidade de carbono até 2050, mas nenhum detalhe é dado sobre como isso será alcançado./ AFP

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