Guarda Costeira do Japão/ Arquivo/Reuters
Guarda Costeira do Japão/ Arquivo/Reuters

China envia patrulhas a ilhas compradas pelo Japão

China disse que Tóquio está 'brincando com fogo'; o episódio que pode agravar as tensões entre as potências asiáticas

Reuters

11 de setembro de 2012 | 10h32

TÓQUIO - A China enviou dois barcos de patrulha aos arredores das ilhas disputadas com o Japão que foram compradas pelo governo japonês das mãos de proprietários particular, e acusou Tóquio de estar "brincando com fogo", disse a imprensa estatal chinesa nesta terça-feira,11,  num episódio que pode agravar as tensões entre as duas maiores economias asiáticas.

"Os militares chineses expressam sua resoluta oposição e seu forte protesto a isso", disse um porta-voz no site do Ministério da Defesa. "O governo e os militares chineses são irredutíveis em sua determinação e irão defender a soberania do território nacional. Estamos acompanhando de perto o desenrolar dos fatos, e nos reservamos o poder de adotar medidas correspondentes."

O governo japonês desembolsou 2,05 bilhões de ienes (26,18 milhões de dólares) para adquirir as três ilhas desabitadas no mar do Leste da China, até agora cedidas em comodato pelo governo a uma família japonesa que detém sua posse desde o começo da década de 1970. Tóquio disse que sua intenção com essa compra é pacífica.

A Guarda Costeira japonesa vai administrar as ilhas, chamadas de Senkaku pelo Japão, e de Diaoyu pela China. As ilhas ficam perto de áreas pesqueiras e de campos gasíferos potencialmente enormes.

O porta-voz ministerial chinês acusou o Japão de "usar todos os tipos de pretextos para ampliar seus armamentos, e de repetidamente criar tensões regionais".

Pequim em geral evita a mobilização de forças militares para áreas marítimas disputadas com países vizinhos, inclusive o Japão, preferindo usar embarcações oficiais civis para reafirmar suas reivindicações de soberania.

A agência estatal de notícias Xinhua disse que duas embarcações da Vigilância Marítima da China chegaram na manhã de terça-feira aos arredores das ilhas. A Vigilância Marítima patrulha águas territoriais chinesas, mas não é subordinada à Marinha.

A Guarda Costeira japonesa não confirmou os relatos sobre a presença de embarcações chinesas.

A aquisição das ilhas pelo governo japonês motivou pequenos protestos em frente à embaixada do Japão em Pequim, onde a segurança é reforçada. Microblogs no popular site Sina Weibo, espécie de Twitter chinês, também relataram pequenos protestos antijaponeses nas cidades de Weihai (leste) e Chongqing (sul).

A disputa pelas ilhotas já dura várias décadas, mas se intensificou no mês passado, quando o Japão deteve ativistas chineses que desembarcaram nas ilhas.

No fim de semana, o presidente da China, Hu Jintao, havia alertado o Japão a não comprar as ilhas. Na terça-feira Taiwan, que também reivindica os territórios, retirou seu representante diplomático do Japão, em sinal de protesto.

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