China espera que número de mortos por tremor chegue a 50 mil

Governo confirma que quase 20 mil morreram e que 10 milhões foram afetados; 26 mil continuam soterrados

Agências internacionais,

15 de maio de 2008 | 07h30

Três dias após o pior tremor que atingiu a China nos últimos 30 anos, a mídia estatal elevou para mais de 19.500 o número de vítimas e anunciou ainda que o governo espera que o saldo de mortos chegue a 50 mil somente na província de Sichuan, na região central da China. Além disso, cerca de 10 milhões de pessoas foram atingidas diretamente pelo tremor de 7,9 graus na escala Richter e pelo menos outras 26 mil ainda estariam soterradas sob escombros de casas, prédios e escolas.   Tremor mata 3/4 de população de cidade Chineses no Brasil arrecadam ajuda Chinês usa astrologia para explicar catástrofes Mapa da destruição na China  Entenda como acontecem os terremotos  Vídeo com imagens do terremoto  De Pequim, Cláudia Trevisan fala sobre o terremoto    A emissora estatal CCTV atribuiu a informação ao Conselho de Estado em seu noticiário noturno. A China enviou um reforço de 30 mil homens para atuar nas operações de resgate na região de Winchuan, epicentro do terremoto. As tropas adicionais estão levando comida, água e equipamentos para os esforços de resgate. O novo reforço se soma a dezenas de milhares de soldados que já se encontram na região do epicentro do tremor e lutam contra o tempo para encontrar sobreviventes e prover assistência a milhares de desabrigados.   Segundo a BBC, o governo chinês anunciou nesta quinta que equipes japonesas especialistas em resgate serão enviadas ao país para ajudar a encontrar sobreviventes. Agências de ajuda de Taiwan, considerada província rebelde por Pequim, também estão enviando dois aviões carregados com mantimentos e equipamentos para resgate, além de voluntários. Cerca de 150 toneladas de suprimentos - incluindo barracas, sacos de dormir e cobertores serão transportados nos dois primeiros aviões taiwaneses, doados por instituições de caridade e grupos religiosos.   Atendendo ao apelo do governo chinês, milhares de pessoas em cidades como Pequim e Xangai fazem fila para doar sangue, dinheiro e mantimentos para os afetados pelo terremoto. A China disse ter alocado outros US$ 35 milhões nos esforços de resgate e ajuda às vítimas. Em meio às novas informações referentes à tragédia da última segunda-feira, o governo chinês fez um raro pedido público de ajuda. A China precisa de equipamentos de resgate para acelerar os trabalhos de salvamento. O governo pediu ao público doações de martelos, pás, ferramentas de demolição e botes de borracha. Na página do Ministério da Indústria da Informação, por exemplo, uma nota afirma que 100 guindastes são necessários.   Em Dujiangyan os corpos retirados dos escombros são enrolados em pedaços de lona e levados para os necrotérios. As equipes estão tão ocupadas que os próprios pais das crianças desaparecidas estão se revezando para procurá-las nos escombros de uma escola que desabou.  As esperanças de retirar pessoas com vida das ruínas diminuem e o trabalho das equipes de resgate é dificultado pela falta de equipamento especializado. Foto: AP A região afetada está ameaçada por um nova tragédia por causa do risco de rompimento da barragem próxima de Dujiangyan, que provocaria a inundação da cidade de 600 mil habitantes. Na quarta, 2 mil soldados foram enviados ao local para tentar reparar as rachaduras provocadas pelo tremor. A barragem de Dujiangyan é a maior de cerca de 400 que foram afetadas pelo terremoto na região central, que tem inúmeros rios e é bastante montanhosa. A cidade já vive um dos maiores dramas do terremoto, que é o soterramento de 900 crianças e adolescentes em uma escola.   Diante da dimensão da tragédia, a população das áreas atingidas se uniu ao governo na busca de feridos e sobreviventes. Carros, motos, pequenos caminhões e triciclos circulavam freneticamente nas estradas que ligam as principais cidades próximas ao epicentro do tremor, na Província de Sichuan. O governo distribui gasolina de graça aos veículos que participam das buscas e havia filas intermináveis nos postos na estrada entre Chengdu, capital da província, e Mianzhu, a 50 quilômetros do epicentro. As motos são cruciais, pois podem alcançar vilas isoladas. A região atingida tem grande população rural espalhada pelas montanhas. Mianyang, por exemplo, tem 5 milhões de habitantes, mas só 600 mil moram na zona urbana.   Ainda nesta quinta-feira, militares chineses devem sobrevoar as zonas mais devastadas para lançar comida, remédios, roupas e cobertas para ajudar os desabrigados. Os helicópteros são necessários porque muitas das estradas de acesso às cidades foram destruídas ou estão bloqueadas por deslizamento de terras. Desde quarta-feira, todos os trens de passageiros estão recolhidos e as viagens suspensas para que se possa transportar pessoal e materiais para o esforço de resgate.   Acampamentos em praças   A Província de Sichuan converteu-se num enorme campo de refugiados, com milhares de pessoas vivendo em tendas improvisadas em beira de estradas, praças públicas, terrenos baldios e estádios de futebol. São famílias cujas casas foram destruídas ou seriamente danificadas, que não sabem quando voltarão a estar sob um teto de verdade. As tendas em que estão abrigadas são lonas sustentadas em estacas e abertas nas laterais. Não há banheiros e as pessoas cozinham em pequenos fogareiros. Em Mianzhu, a 50 km do epicentro do terremoto, uma enorme praça serve de acampamento para milhares de famílias. Caminhões entregam comida, água e medicamentos.   O terremoto que devastou a província chinesa de Sichuan praticamente varreu a cidade de Yingxiu do mapa. Dos 10 mil habitantes, apenas 2.300 sobreviveram, sendo que pelo menos mil deles estão em estado grave. A cidade está isolada por causa da queda de barreiras e todo o trabalho de resgate está sendo feito por barco ou a pé. O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, visitou ontem os feridos na cidade de Yingxiu. "Estamos fazendo o máximo para salvar as pessoas", declarou Wen. O líder chinês usou um helicóptero para chegar ao local.   Risco de epidemias   O vice-ministro da Saúde chinês, Gao Qiang, disse que, por enquanto, não há focos de epidemias nas zonas atingidas pelo terremoto. No entanto, Gao acrescentou, em entrevista coletiva em Pequim, que as autoridades continuarão em alerta, já que poderiam ocorrer doenças, devido às condições de insalubridade que surgem após catástrofes como a que assola o sudoeste da China.   Gao disse que, só na província de Sichuan, a mais afetada pelo terremoto, os centros hospitalares atenderam até o momento 64.040 feridos, dos quais 12.587 se encontram em estado grave. Ele afirmou que mais de 10.000 profissionais de saúde trabalham nas zonas mais devastadas pelo tremor.   (Com Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo) Matéria atualizada às 10h20..

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